Primeiramente eu gostaria de dizer que a melhor explicação sobre o livro dos Salmos que eu já vi encontra-se na Bíblia da CNBB, por isso vale muito a pena dar uma lida na introdução desse livro tão enriquecedor.
Bom, já que comecei citando a Bíblia CNBB, vejam o que ela diz na introdução do livro dos Salmos: “é bom ter em mente que os Salmos foram feitos para ser cantados e não simplesmente rezados“.
Nós músicos deveríamos rezar mais com os salmos, assim aprofundaríamos em nossa espiritualidade. O próprio Jesus meditava sobre os Salmos. Na cruz rezou o salmo 22, cujo começo lemos em Mc 15,34 e Mt 27,46, e morreu pronunciando o v.6 do salmo 31.
O Salmo é a nossa resposta à Deus sobre a primeira leitura.
Este é o canto mais importante da liturgia da Palavra ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita laços de amor e fidelidade, e por isso nunca deveria ser excluído. Se o salmo for cantado é bom que a assembléia cante ao menos o refrão, sendo executado pelo solista as estrofes.
Neste canto o acompanhamento dos instrumentos deve ser discreto, mais suave que em outros cantos, especialmente quando o solista canta.
Uma alternativa para quem não puder cantá-lo integralmente seria cantar apenas o refrão e nas estrofes segue-se a leitura normalmente.
Outra fonte que dispensa apresentação é o IGMR (Instrução Geral do Missal Romano), inclusive você pode baixá-lo aqui mesmo no site Oficina da Música Católica, na sessão “Formação”. Bom, em seu número 57 lemos o seguinte:
“não é lícito substituir as leituras e o salmo responsorial, que contêm a palavra de Deus, por outros textos não bíblicos“.
Vamos aprender um pouquinho mais lendo também esse trecho (número 61 do IGMR):
“A primeira leitura é seguida do salmo responsorial, que é parte integrante da liturgia da palavra e tem, por si mesmo, grande importância litúrgica e pastoral, pois favorece a meditação da Palavra de Deus. O salmo responsorial corresponde a cada leitura e habitualmente toma-se do Lecionário.
Convém que o salmo responsorial seja cantado, pelo menos no que se refere à resposta do povo. O salmista ou cantor do salmo, do ambão ou de outro sítio conveniente, recita os versículos do salmo; toda a assembléia escuta sentada, ou, de preferência, nele participa do modo costumado com o refrão, a não ser que o salmo seja recitado todo seguido, sem refrão. Todavia, para facilitar ao povo a resposta salmódica (refrão), fez-se, para os diferentes tempos e as várias categorias de cantos, uma seleção de responsarias e salmos, que podem ser utilizados, em vez do texto correspondente à leitura, quando o salmo é cantado.
Se o salmo não puder ser cantado, recita-se do modo mais indicado para favorecer a meditação da palavra de Deus.
Em vez do salmo que vem indicado no Lecionário, também se pode cantar ou o responsório gradual tirado do Gradual Romano ou um salmo responsorial ou aleluiático do Gradual simples, na forma indicada nestes livros“.
Gostei muito de ler certa vez em um dos livros do Monsenhor Jonas quando ele disse que um Salmo é como uma fruta. Uma fruta é leve, sempre cai bem e podemos comê-la a qualquer hora. Assim é também o salmo: podemos lê-lo a qualquer momento, seja ao acordar, durante o dia, em intervalos do trabalho, à noite, antes de executar algum trabalho em sinal de preparação, mas também após fazer algo em sinal de agradecimento.
E vejam que interessante: após a comunhão também podemos cantar um salmo, como também citado abaixo pelo IGMR, em seu número 88:
“Terminada a distribuição da Comunhão, o sacerdote e os fiéis, conforme a oportunidade, oram alguns momentos em silêncio. Se quiser-se, também pode ser cantado por toda a assembléia um salmo ou outro cântico de louvor ou um hino“.
Na ausência de um salmista um leitor pode recitar o Salmo.
Outra coisa lindíssima de ser ler que também fiz questão de extrair do IGMR, em seu número 102:
“Compete ao salmista proferir o salmo ou o cântico bíblico que vem entre as leituras. Para desempenhar bem a sua função, é necessário que o salmista seja competente na arte de salmodiar e dotado de pronúncia correta e dicção perfeita“.
Competente na ARTE DE SALMODIAR. Então vemos aqui que salmodiar chega a ser uma arte. Por isso devemos fazê-la com todo carinho e competência.
Um erro comum que vemos nas comunidades são pessoas que: ou têm dificuldade de leitura e não são dotadas de pronúncia correta ou ainda: não têm dicção perfeita. O que significa isso? Que é preciso dizer com clareza, de modo que todos possam entender bem o que é dito. Isso é importantíssimo. E a forma como tocamos o salmo também colabora muito (seja para pior ou melhor), pois temos a tendência de colocar um arranjo muito carregado, dificultando assim a escuta perfeita da recitação do salmo.
Assim, como em várias partes da missa é sempre importante pensar no seguinte: é necessário colocar aquele efeito de guitarra tão pesado? É necessário a bateria “pegar pesado”? Temos que ter consciência que nesse momento estamos ouvindo a Palavra de Deus e nem todos sabem ler ou tem folhetos em mãos. A escuta das leituras e do Salmo pode ser a única chance que uma pessoa tem de ouvir o Senhor falando. Por isso devemos caprichar!
Mais uma coisa a título de formação no número 135 do IGMR:
“Se não há leitor, é o próprio sacerdote que de pé proclama, no ambão, todas as leituras e o salmo. Ali também, se usar-se o incenso, impõe incenso e benze-o, e, profundamente inclinado, diz : Purificai o meu coração (Munda cor meum)“.
Para finalizar vou deixar aqui algumas “classificações”, se é que posso assim chamar. Mas funcionalidade seria a seguinte: você pode deixar alguns arranjos prontos (de backup) e tocar de acordo com a situação. Por exemplo: nos salmos de ação de graças ou hinos você terá um arranjo mais expressivo, mais alegre. E essa mesma forma de tocar não faz sentido para salmos de súplicas ou penitenciais. Entende?
Essa é a idéia. Saber colocar uma melodia de acordo com o salmo, assim estaríamos ainda mais integrados com a liturgia.
Gêneros dos Salmos:
Hinos - louvam a majestade do Senhor, manifestada na natureza e na história de Israel
Súplicas - descrevem a Dues os males do momento pedindo salvação.
Ação de Graças - agradecem a Deus pela salvação obtida
Sapienciais - meditam sobre a Lei e ensinam como seguir os caminhos de Deus.
Litúrgicos - nos fala de procissões e sacrifícios, oráculos e bençãos.
Históricos - rezam a Deus com os fatos da vida e do passado de Israel, meditando-os para deles tirar lições de vida.
Régios ou Messiânicos - aqueles que vêem na pessoa do rei um representante de Deus, encarregado de salvar o povo.
Imprecatórios - contém expressões de vingança contra os inimigos. Para entendê-los é preciso recordar o tempo e a cultura onde nasceram.
É preciso deixar claro que nem sempre o pensamento do autor segue um caminho único muitas vezes num mesmo salmo os sentimentos e as formas se sucedem, dificultando uma classificação precisa. Mas de qualquer forma segue uma classificação “padrão” para auxiliar:
Agradecimento coletivo: 66, 75, 85, 107, 124, 126
Agradecimento individual: 9, 18, 30, 34, 92, 115, 116, 120, 138
Cântico de Sião: 46, 48, 76, 84, 87, 122, 137
Confiança: 3, 4, 11, 16, 23, 27, 62, 63, 71, 91, 121, 125, 129, 131
Denúncia profética: 58, 82
Hinos: 8, 19, 29, 33, 65, 67, 96, 100, 104, 111, 113, 114, 117, 135, 145, 146, 147, 148, 149, 150
Históricos: 78, 105, 106
Litúrgicos: 24, 50, 68, 81, 95, 118, 134, 136
Penitenciais: 6, 32, 38, 51, 102, 130, 143
Régios: 2, 20, 21, 45, 72, 89, 110, 132
Salmos do Reino: 47, 93, 97, 98, 99
Sapienciais: 1, 15, 36, 37, 49, 52, 73, 101, 112, 119, 127, 128, 133, 139
Súplicas coletivas: 12, 14, 44, 53, 60, 74, 79, 80, 83, 90, 123, 144
Súplicas individuais: 5, 7, 13, 17, 22, 25, 26, 28, 31, 35, 39, 41, 42, 43, 54, 55, 56, 57, 59, 61, 64, 69, 70, 77, 86, 88, 94, 108, 109, 140, 141, 142.
Deus abençoe!
Jorge