MISSA - PARTE 8 - Ofertório
Lembro-me muito bem quando li pela primeira vez um livro chamado “Cantar em Espírito e em Verdade” do padre Joãozinho SCJ. Em determinado momento ele menciona as partes da missa e fiquei surpreso (e decepcionado) quando ele disse que a música de ofertório é a menos importante da missa. Isso mesmo! Foi um choque pra mim… Pois nunca poderia imaginar que o Ofertório seria menos importante que outros momentos da missa.
Até que entendi o que ele quis dizer. Não que o ofertório não seja importante, mas a missa inteira é solene, grandiosa e dentro de suas particularidades há algumas partes que realmente “recebem” esse grau de importância. O Santo é um bom exemplo. (mas comentarei mais adiante sobre essa parte…).
Parece brincadeira, mas é bom lembrar que no momento do Ofertório devemos ficar sentados (Exceto logicamente na hora de fazer a nossa oferta), mas também é hora de ficarmos sentados!! Não é hora de ficar andando para lá e para cá, cumprimentando amigos, indo ao banheiro, beber água, etc…
O canto de Ofertório não deve se prolongar muito, finalizando-o assim que o sacerdote estiver pronto para iniciar a oração eucarística.
Assim como em toda a missa devemos (nós Ministério de Música) ter o cuidado de não chamar a atenção, pois o rito todo é muito lindo, mas nem todos são capazes de observar detalhes que são riquíssimos e com certeza alimentariam ainda mais a nossa fé.
Vejam só que lindo o que acontece neste momento (do ofertório), conforme o IGMR (Instrução Geral do Missal Romano):
O interessante é reparar nos detalhes, por isso faça o seguinte:
Leia um parágrafo e pare para lembrar/mentalizar a cena. Reflita com calma e vá para o próximo parágrafo.
139. Terminada a oração universal, todos se sentam, e começa o cântico do ofertório (cf. n. 74), se há procissão dos dons.
O acólito ou outro ministro leigo coloca sobre o altar o corporal, o sanguinho, o cálice, a pala e o missal.
73. A iniciar a liturgia eucarística, levam-se para o altar os dons, que se vão converter no Corpo e Sangue de Cristo.
Em primeiro lugar prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística[70]; nele se dispõem o corporal, o purificador (ou sanguinho), o Missal e o cálice, salvo se este for preparado na credência.
Em seguida são trazidas as oferendas. É de louvar que o pão e o vinho sejam apresentados pelos fiéis. Recebidos pelo sacerdote ou pelo diácono em lugar conveniente, são depois levados para o altar. Embora, hoje em dia, os fiéis já não tragam do seu próprio pão e vinho, como se fazia noutros tempos, no entanto o rito desta apresentação conserva ainda valor e significado espiritual.
Além do pão e do vinho, são permitidas ofertas em dinheiro e outros dons, destinados aos pobres ou à Igreja, e tanto podem ser trazidos pelos fiéis como recolhidos dentro da Igreja. Estes dons serão dispostos em lugar conveniente, fora da mesa eucarística.
74. A procissão em que se levam os dons é acompanhada do cântico do ofertório (cf. n. 37, b), que se prolonga pelo menos até que os dons tenham sido depostos sobre o altar. As normas para a execução deste cântico são idênticas às que foram dadas para o cântico de entrada (cf. n. 48). O rito do ofertório pode ser sempre acompanhado de canto.
75. O pão e o vinho são depostos sobre o altar pelo sacerdote, acompanhados das fórmulas prescritas. O sacerdote pode incensar os dons colocados sobre o altar, depois a cruz e o próprio altar. Deste modo se pretende significar que a oblação e oração da Igreja se elevam, como fumo de incenso, à presença de Deus. Depois o sacerdote, por causa do sagrado ministério, e o povo, em razão da dignidade batismal, podem ser incensados pelo diácono ou por outro ministro.
76. A seguir, o sacerdote lava as mãos, ao lado do altar: com este rito se exprime o desejo de uma purificação interior.
140. As ofertas dos fiéis são recebidas pelo sacerdote com a ajuda do acólito ou de outro ministro. O pão e o vinho destinados à Eucaristia são levados ao celebrante, que os depõe sobre o altar; os outros dons são colocados noutro lugar conveniente (cf. n. 73).
Uma observação aqui: Infelizmente temos visto erros grosseiros, talvez até mesmo por ignorância, onde são apresentados outros dons e que são colocados em cima do altar.
Gosto de lembrar de um exemplo que uma amiga me deu certa vez: ela disse que participava da santa missa e no momento do ofertório resolveram fazer um momento especial aos deficientes físicos, por isso as oferendas também se voltavam para esse fim. Então, a equipe litúrgica entre outros dons apresentou muletas, representando esse público. No entanto, colocaram as muletas em cima do altar!!
Li certa vez que o altar é a “mesa do banquete”. E temos que ter o maior cuidado, amor e zelo por isso. Temos que ter o discernimento de saber o que se deve colocar em cima do altar.
Imagine-se em sua casa no momento da sua refeição. Vc gostaria de ver em cima da mesa, junto com os pratos e talheres um objeto “fora de contexto”? Imagine em sua mesa duas muletas. Não dá né?
Claro que o exemplo é simples e talvez até bobo, mas acredito que vc tenha entendido.
Continuemos com o rito do Ofertório.
141. O sacerdote, junto do altar, recebe a patena com o pão; e, sustentando-a, com ambas as mãos, um pouco elevada sobre o altar, diz em silêncio (secreto): “Bendito sejais, Senhor”. Em seguida, depõe a patena com o pão sobre o corporal.
142. O sacerdote vai depois ao lado do altar, onde o ministro lhe apresenta as galhetas, e deita no cálice o vinho e um pouco de água, dizendo em silêncio: “Pelo mistério desta água e deste vinho”. Volta ao meio do altar, toma o cálice com ambas as mãos e, sustentando-o um pouco elevado sobre o altar, diz em voz baixa: Bendito sejais, Senho”r. Depõe, em seguida, o cálice sobre o corporal e, se parecer oportuno, cobre-o com a pala.
Se não há cântico do ofertório ou não se toca o órgão, o sacerdote pode, na apresentação do pão e do vinho, dizer em voz alta as fórmulas de bênção, às quais o povo aclama: Bendito seja Deus para sempre.
143. Colocado o cálice no altar, o sacerdote inclina-se profundamente e diz em silêncio: “De coração humilhado e contrito” (In spiritu humilitatis).
144. A seguir, se usar-se o incenso, o sacerdote impõe-no no turíbulo e incensa as oblatas, a cruz e o altar. Um ministro, de pé ao lado do altar, incensa o sacerdote, e depois o povo.
145. Depois da oração: De coração humilhado e contrito (In spiritu humilitatis) ou depois da incensação, o sacerdote vai ao lado do altar e lava as mãos, dizendo em silêncio: “Lavai-me, Senhor”, enquanto o ministro lhe serve a água.
146. O sacerdote vem ao meio do altar e, voltado para o povo, abrindo e juntando as mãos, convida-o à oração, dizendo: Orai, irmãos, etc… (Orate, fratres…– Em Portugal pode o sacerdote dizer apenas Oremos, sem resposta do povo). O povo levanta-se e responde: Receba o Senhor. Depois o sacerdote, recita, de braços abertos, a oração sobre as oblatas. No fim o povo aclama: Amen.
É ou não é lindo, até maravilhoso cada detalhe? Se você não leu pausadamente faça isso por favor. É importante. Tenho certeza que abrirá os seus olhos da fé.
Bom, vamos a alguns detalhes agora:
- Como já explicado acima não devemos prolongar muito esse canto. Em casos onde o rito se prolonga mais (como missas festivas por exemplo) é permitido colocar uma segunda música de ofertório.
- Devemos ter atenção na escolha da música do ofertório. As vezes colocamos tanta ênfase em corpo e sangue, porém as vezes trata-se de uma celebração sem o sacerdote e que não haverá consagração. Neste caso, faz muito mais sentido outra canção.
- Estudar antes nunca é demais. Veja qual é o tema principal do dia. Veja as leituras da missa também, pois vai ajudá-lo muito. Por exemplo: se o Evangelho fala do filho pródigo você poderia aquela música “Tudo é do Pai” ou “Filho Pródigo” mesmo, que diz assim “confiei no teu amor e voltei, sim aqui é o meu lugar. Eu gastei teus bens ó pai e te dou esse pranto em minhas mãos…”
- O momento do ofertório não é momento para colocarmos o que quisermos de música. Assim como em todas as outras partes da missa devemos nos manter firmes e em sintonia com a liturgia. Digo isso porque já vi músicas totalmente equivocadas, como músicas de comunhão ou de aclamação ao Espírito Santo.
- Toquem e cantem sempre de olho no sacerdote. Se perceberem que ele já está terminando vcs também devem ir finalizando o canto para que tudo seja bem sincronizado e o sacerdote não fique esperando muito.
Contribua você também, deixando seus comentários.
Deus abençoe!
Jorge