13 de Janeiro de 2010

MISSA - PARTE 7 - Seqüência e Seqüência Pascal

Arquivado sob: Liturgia - Missa — admin @ 09:47

Olá amigos, tudo bem?

Vocês já ouviram falar em Seqüência ou Seqüência Pascal?

Pois é, trata-se de mais uma das riquezas que compõe nossa liturgia católica. Porém, nem todas as pessoas a conhecem. Por isso vou deixar registrado um pouco mais sobre esse assunto, ok?
Como eu já disse em alguns artigos uma coisa que é complicada é quando nós músicos somos pegos desprevenidos. Imagine que você está lá tranquilo no seu cantinho e de repente o comentarista ou padre diz: “e agora vamos cantar a sequência pascal”… E aí?
Por isso, além de estarmos preparados é sempre bom sabermos um pouquinho mais de liturgia…

Seqüência: A seqüência, que faz parte da Liturgia da Palavra desta missa, dentro da normalidade da celebração, deveria ser cantada. Caso não se conheça uma melodia, algum compositor da comunidade poderia compor uma melodia para esta poesia. O Hinário da CNBB propõe a seqüência, musicada de forma bem popular, com o refrão do “A nós descei, divina luz… em nossas almas acendei…” (cf. Hinário da CNBB, fasc. 2, p. 112).

Na Liturgia da Palavra, além das leituras, do salmo e do Evangelho, canta-se a Sequência Pascal, que resume em poucos versos o sentido da Páscoa. Com Cristo presente, começa o Tempo Pascal.

Seqüência pascal: é um hino que a Igreja, com alegria incontida, canta ao Senhor ressuscitado. A Igreja exulta e insiste com Maria, para que conte a todos os celebrantes o espanto e o contentamento ao ver o túmulo abandonado e o Senhor ressuscitado. Cantai cristãos afinal, salve ó vitima pascal.

A seqüência, que exceto nos dias da Páscoa e do Pentecostes é facultativa (ou seja, não é obrigatória) e canta-se depois do Aleluia. (Número 64 do IGMR).

A seqüência pascal marca a emoção e a esperança da comunidade. Jesus Cristo é o vencedor da Morte. Ele rompeu as barreiras do tempo e do espaço. Ele é um convite à nossa ressurreição.

Num de seus discursos dirigidos a “Urbi et Orbi” (A Cidade e ao Mundo), o Papa João Paulo II, nos ajuda a entender o grande mistério da Ressurreição. Seu discurso está baseado na Liturgia do Domingo da Ressurreição, do Missal Romano, mais precisamente na seqüência Pascal onde rezamos:

“Morte e vida combateram, em combate prodigioso. Mas o Príncipe da Vida reina vivo após a morte”.

Ao celebrar a Páscoa, mais uma vez, a Igreja se detém maravilhada junto ao túmulo vazio. Como as piedosas mulheres que vieram para ungir com aromas o corpo da Crucificado, a Igreja também se curva sobre o sepulcro onde o Senhor foi depositado depois da crucificação.
Continuando sua reflexão, o Papa diz ainda que as palavras da Seqüência Pascoal manifestam o mistério que se realiza na Páscoa de Cristo e indicam a energia renovadora que brota de sua ressurreição.

Bom, segue abaixo a Sequencia Pascal que devemos cantar:


1. Cantai, cristãos, afinal: “Salve, ó vítima pascal!”
Cordeiro inocente, o Cristo abriu-nos do Pai o aprisco.

2. Por toda ovelha imolado, do mundo lava o pecado.
Duelam forte e mais forte: é a vida que vence a morte.

3. O Rei da vida, cativo, foi morto, mas reina vivo!
Responde, pois, ó Maria: no caminho o que havia?

4. “Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado
os anjos da cor do sol, dobrado no chão o lençol”.

5. O Cristo que leva aos céus, caminha à frente dos seus!
Ressuscitou, de verdade! Ó Cristo Rei, piedade!

Espero que a leitura tenha sido tão proveitosa quanto foi para mim aprender um pouquinho mais sobre esse assunto.

Deus abençoe!
Jorge

8 de Janeiro de 2010

MISSA - PARTE 6 - Aclamação ao Evangelho

Arquivado sob: Liturgia - Missa — admin @ 10:10

Como eu já havia mencionado aqui algumas partes da Missa contém “fórmulas” ou seja, “regrinhas” nas quais não podemos abrir mãos. E na Aclamação ao Evangelho temos o “Aleluia“, um termo hebraico que significa “louvai o Senhor”.

Bom, vou começar citando o que está no IGMR (Instrução Geral do Missal Romano)

Depois da leitura, que precede imediatamente o Evangelho, canta-se o Aleluia ou outro cântico, indicado pelas rubricas, conforme o tempo litúrgico. Deste modo a aclamação constitui um rito ou um ato com valor por si próprio, pelo qual a assembléia dos fiéis acolhe e saúda o Senhor, que lhe vai falar no Evangelho, e professa a sua fé por meio do canto. É cantada por todos de pé, iniciada pela sachola ou por um cantor, e pode-se repetir, se for conveniente; mas o versículo é cantado pela sachola ou pelo cantor.

a) O Aleluia canta-se em todos os tempos fora da Quaresma. Os versículos tomam-se do Lecionário ou do Gradual;
b) Na Quaresma, em vez do Aleluia canta-se o versículo antes do Evangelho que vem no Lecionário. Também se pode cantar outro salmo ou tracto, como se indica no Gradual.

No caso de haver uma só leitura antes do Evangelho:
a) nos tempos em que se diz Aleluia, pode escolher-se ou o salmo aleluiático, ou o salmo e o Aleluia com o seu versículo;
b) no tempo em que não se diz Aleluia, pode escolher-se ou o salmo e o versículo antes do Evangelho ou apenas o salmo.
c) O Aleluia ou o versículo antes do Evangelho, se não são cantados, podem omitir-se.

A seqüência, que exceto nos dias da Páscoa e do Pentecostes é facultativa, canta-se depois do Aleluia.

O canto poderá ser repetido após a proclamação do Evangelho. “O Aleluia ou o versículo antes do Evangelho podem ser omitidos, quando não são cantados” (IGMR 39).
Por isso, não chega a ser um canto obrigatório.

Ao contrário do salmo este canto permite uma participação mais vibrante dos instrumentos.

Um solista ou coro canta então o “Aleluia” como canto de aclamação, não ao jeito dos Salmos, mas como forma de elevar à maior dignidade da escuta da Palavra revelada, o Evangelho, onde Deus se revela de forma tão especial no tempo das Comunidades primeiras do Cristianismo.

Este Canto de Aclamação tem como característica distintiva a palavra “Aleluia”, que como já vimos se trata de um termo hebraico que significa “louvai o Senhor”.

Porque expressar esta aclamação através deste vocábulo antes do Evangelho?
Segundo a liturgia, no Evangelho, é o Cristo que fala a cada um de nós, é a Boa Nova da Salvação e por isso a nossa atitude, ao cantar este hino é a de aclamar e ao mesmo tempo manifestar uns aos outros que nos sentimos felizes por poder ouvir as palavras de Jesus. Trata-se ao mesmo tempo de uma forma simples de O aclamar como fizeram as multidões ao vê-lO entrar em Jerusalém no domingo de Ramos.

Percebemos, assim, que o Canto de Aclamação, da mesma forma que o Hino de Louvor, não pode ser cantado sem alegria, sem vida. Seria como se não confiássemos Naquele que dá a vida e que vem até nós para pregar a palavra da Salvação.

Este canto ganhou um lugar de enorme relevância dentro da liturgia de tal forma que é cantado com a assembléia de pé.

O canto de Aclamação ao Evangelho podeia também ser “classificado” como:

- Cantos processionais
São aqueles que acompanham as procissões litúrgicas. Temos então, com relação à missa: o canto de entrada, o de aclamação ao Evangelho (quando se faz a procissão deste), o da procissão das oferendas, o da comunhão e o canto final (quando este acompanha a saída do povo).

- Cantos interlecionais
São os que ficam entre as leituras bíblicas (O salmo responsorial e a aclamação ao Evangelho).

Aleluia é uma aclamação pascoal a Cristo, o Verbo de Deus. Devemos tomar cuidado para não introduzirmos o Aleluia na Quaresma e no Advento.
Nestes períodos já existem musicas apropriadas.

Alguns erros comuns que vejo, ou seja, cantos que são utilizados no momento da aclamação onde na verdade não seriam apropriados:

- Palmas pra Jesus
- Procissão da Bíblia (”quero levar esta bíblia…”) - Este canto é apropriado para a entrada da Palavra, não para aclamação.
- Fala Senhor - Também é indicado para entrada da Palavra.
- Como são belos - Não é que seja proibido ou errado, mas apesar desta música conter uma letra bem interessante para se usar na aclamação eu sugiro utilizá-la como entrada da Palavra. E bem interessante ainda seria utilizá-la no tempo Pascal, pela vibração contagiante que ela nos traz.
Precisamos lembrar da ênfase que devemos dar ao ALELUIA. Por isso não indicaria essa canção para esse momento.
- Cantos de meditação (especialmente sem a palavra aleluia).
E um detalhe: não basta conter a palavra ALELUIA e achar que está tudo certo. Afinal, há muitas músicas que contém a palavra Aleluia e não têm nada a ver com liturgia, ou pelo menos com a idéia geral que estamos precisando no momento. Precisamos pensar no todo, no contexto, ok?
- Cantos demasiadamente longos também não são indicados. O ideal é que o canto termine assim que notarmos que o sacerdote já está pronto para iniciar a leitura.

Bom, acho que é isso… Se você quiser colaborar com mais informações esteja à vontade!

Deus abençoe!
Jroge

9 de Dezembro de 2009

MISSA - PARTE 5 - SALMOS

Arquivado sob: Liturgia - Missa — admin @ 09:24

Primeiramente eu gostaria de dizer que a melhor explicação sobre o livro dos Salmos que eu já vi encontra-se na Bíblia da CNBB, por isso vale muito a pena dar uma lida na introdução desse livro tão enriquecedor.

Bom, já que comecei citando a Bíblia CNBB, vejam o que ela diz na introdução do livro dos Salmos: “é bom ter em mente que os Salmos foram feitos para ser cantados e não simplesmente rezados“.

Nós músicos deveríamos rezar mais com os salmos, assim aprofundaríamos em nossa espiritualidade. O próprio Jesus meditava sobre os Salmos. Na cruz rezou o salmo 22, cujo começo lemos em Mc 15,34 e Mt 27,46, e morreu pronunciando o v.6 do salmo 31.

O Salmo é a nossa resposta à Deus sobre a primeira leitura.
Este é o canto mais importante da liturgia da Palavra ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita laços de amor e fidelidade, e por isso nunca deveria ser excluído. Se o salmo for cantado é bom que a assembléia cante ao menos o refrão, sendo executado pelo solista as estrofes.

Neste canto o acompanhamento dos instrumentos deve ser discreto, mais suave que em outros cantos, especialmente quando o solista canta.
Uma alternativa para quem não puder cantá-lo integralmente seria cantar apenas o refrão e nas estrofes segue-se a leitura normalmente.

Outra fonte que dispensa apresentação é o IGMR (Instrução Geral do Missal Romano), inclusive você pode baixá-lo aqui mesmo no site Oficina da Música Católica, na sessão “Formação”. Bom, em seu número 57 lemos o seguinte:
não é lícito substituir as leituras e o salmo responsorial, que contêm a palavra de Deus, por outros textos não bíblicos“.

Vamos aprender um pouquinho mais lendo também esse trecho (número 61 do IGMR):
A primeira leitura é seguida do salmo responsorial, que é parte integrante da liturgia da palavra e tem, por si mesmo, grande importância litúrgica e pastoral, pois favorece a meditação da Palavra de Deus. O salmo responsorial corresponde a cada leitura e habitualmente toma-se do Lecionário.

Convém que o salmo responsorial seja cantado, pelo menos no que se refere à resposta do povo. O salmista ou cantor do salmo, do ambão ou de outro sítio conveniente, recita os versículos do salmo; toda a assembléia escuta sentada, ou, de preferência, nele participa do modo costumado com o refrão, a não ser que o salmo seja recitado todo seguido, sem refrão. Todavia, para facilitar ao povo a resposta salmódica (refrão), fez-se, para os diferentes tempos e as várias categorias de cantos, uma seleção de responsarias e salmos, que podem ser utilizados, em vez do texto correspondente à leitura, quando o salmo é cantado.

Se o salmo não puder ser cantado, recita-se do modo mais indicado para favorecer a meditação da palavra de Deus.
Em vez do salmo que vem indicado no Lecionário, também se pode cantar ou o responsório gradual tirado do Gradual Romano ou um salmo responsorial ou aleluiático do Gradual simples, na forma indicada nestes livros
“.

Gostei muito de ler certa vez em um dos livros do Monsenhor Jonas quando ele disse que um Salmo é como uma fruta. Uma fruta é leve, sempre cai bem e podemos comê-la a qualquer hora. Assim é também o salmo: podemos lê-lo a qualquer momento, seja ao acordar, durante o dia, em intervalos do trabalho, à noite, antes de executar algum trabalho em sinal de preparação, mas também após fazer algo em sinal de agradecimento.

E vejam que interessante: após a comunhão também podemos cantar um salmo, como também citado abaixo pelo IGMR, em seu número 88:
Terminada a distribuição da Comunhão, o sacerdote e os fiéis, conforme a oportunidade, oram alguns momentos em silêncio. Se quiser-se, também pode ser cantado por toda a assembléia um salmo ou outro cântico de louvor ou um hino“.

Na ausência de um salmista um leitor pode recitar o Salmo.

Outra coisa lindíssima de ser ler que também fiz questão de extrair do IGMR, em seu número 102:

Compete ao salmista proferir o salmo ou o cântico bíblico que vem entre as leituras. Para desempenhar bem a sua função, é necessário que o salmista seja competente na arte de salmodiar e dotado de pronúncia correta e dicção perfeita“.

Competente na ARTE DE SALMODIAR. Então vemos aqui que salmodiar chega a ser uma arte. Por isso devemos fazê-la com todo carinho e competência.

Um erro comum que vemos nas comunidades são pessoas que: ou têm dificuldade de leitura e não são dotadas de pronúncia correta ou ainda: não têm dicção perfeita. O que significa isso? Que é preciso dizer com clareza, de modo que todos possam entender bem o que é dito. Isso é importantíssimo. E a forma como tocamos o salmo também colabora muito (seja para pior ou melhor), pois temos a tendência de colocar um arranjo muito carregado, dificultando assim a escuta perfeita da recitação do salmo.

Assim, como em várias partes da missa é sempre importante pensar no seguinte: é necessário colocar aquele efeito de guitarra tão pesado? É necessário a bateria “pegar pesado”? Temos que ter consciência que nesse momento estamos ouvindo a Palavra de Deus e nem todos sabem ler ou tem folhetos em mãos. A escuta das leituras e do Salmo pode ser a única chance que uma pessoa tem de ouvir o Senhor falando. Por isso devemos caprichar!

Mais uma coisa a título de formação no número 135 do IGMR:

Se não há leitor, é o próprio sacerdote que de pé proclama, no ambão, todas as leituras e o salmo. Ali também, se usar-se o incenso, impõe incenso e benze-o, e, profundamente inclinado, diz : Purificai o meu coração (Munda cor meum)“.

Para finalizar vou deixar aqui algumas “classificações”, se é que posso assim chamar. Mas funcionalidade seria a seguinte: você pode deixar alguns arranjos prontos (de backup) e tocar de acordo com a situação. Por exemplo: nos salmos de ação de graças ou hinos você terá um arranjo mais expressivo, mais alegre. E essa mesma forma de tocar não faz sentido para salmos de súplicas ou penitenciais. Entende?
Essa é a idéia. Saber colocar uma melodia de acordo com o salmo, assim estaríamos ainda mais integrados com a liturgia.

Gêneros dos Salmos:
Hinos - louvam a majestade do Senhor, manifestada na natureza e na história de Israel
Súplicas - descrevem a Dues os males do momento pedindo salvação.
Ação de Graças - agradecem a Deus pela salvação obtida
Sapienciais - meditam sobre a Lei e ensinam como seguir os caminhos de Deus.
Litúrgicos - nos fala de procissões e sacrifícios, oráculos e bençãos.
Históricos - rezam a Deus com os fatos da vida e do passado de Israel, meditando-os para deles tirar lições de vida.
Régios ou Messiânicos - aqueles que vêem na pessoa do rei um representante de Deus, encarregado de salvar o povo.
Imprecatórios - contém expressões de vingança contra os inimigos. Para entendê-los é preciso recordar o tempo e a cultura onde nasceram.

É preciso deixar claro que nem sempre o pensamento do autor segue um caminho único muitas vezes num mesmo salmo os sentimentos e as formas se sucedem, dificultando uma classificação precisa. Mas de qualquer forma segue uma classificação “padrão” para auxiliar:

Agradecimento coletivo: 66, 75, 85, 107, 124, 126
Agradecimento individual: 9, 18, 30, 34, 92, 115, 116, 120, 138
Cântico de Sião: 46, 48, 76, 84, 87, 122, 137
Confiança: 3, 4, 11, 16, 23, 27, 62, 63, 71, 91, 121, 125, 129, 131
Denúncia profética: 58, 82
Hinos: 8, 19, 29, 33, 65, 67, 96, 100, 104, 111, 113, 114, 117, 135, 145, 146, 147, 148, 149, 150
Históricos: 78, 105, 106
Litúrgicos: 24, 50, 68, 81, 95, 118, 134, 136
Penitenciais: 6, 32, 38, 51, 102, 130, 143
Régios: 2, 20, 21, 45, 72, 89, 110, 132
Salmos do Reino: 47, 93, 97, 98, 99
Sapienciais: 1, 15, 36, 37, 49, 52, 73, 101, 112, 119, 127, 128, 133, 139
Súplicas coletivas: 12, 14, 44, 53, 60, 74, 79, 80, 83, 90, 123, 144
Súplicas individuais: 5, 7, 13, 17, 22, 25, 26, 28, 31, 35, 39, 41, 42, 43, 54, 55, 56, 57, 59, 61, 64, 69, 70, 77, 86, 88, 94, 108, 109, 140, 141, 142.

Deus abençoe!
Jorge

25 de Novembro de 2009

MISSA - PARTE 4 - Entrada da Palavra (Procissão da Bíblia)

Arquivado sob: Liturgia - Missa — admin @ 07:51

Após o Glória nós temos o “Oremos”. Em seguida vem as leituras, porém algumas comunidades e paróquias têm o costume de fazer uma procissão de entrada da bíblia, com cânticos, encenações, etc. E não há nada de errado nisso, mas só quero lembrar um detalhe:

Se tivemos o costume de sempre fazer o canto de Entrada da Palavra corremos o risco de perder esse brilho quando chegar o mês de setembro, mês próprio da Bíblia, Palavra de Deus. Por isso, talvez, o ideal seja fazê-lo somente no mês 09 mesmo. Assim, a assembléia perceberá a “diferença”, a importância que lhe é dada. (Não que nos outros meses ela não tenha a mesma importância).

E mais alguns toques:
- Esse canto deve ser um canto breve. Quando a Palavra chegar lá na frente (para o padre, ambão, altar…) o cântico deve ser encerrado;
- Devemos ter um cuidado especial para não colocar nesse momento uma música de Aclamação ao Evangelho;
- Obviamente a letra da música deve falar sobre a Palavra de Deus. Evite-se usar quaisquer outros cantos apenas por achá-los bonitos;

O canto de entrada da Palavra deve preparar as pessoas para a mensagem de Deus que será transmitida, por isso a utilização de antífonas também seria muito interessante (apesar de ser mais comum utilizá-la na Aclamação ao Evangelho - um dos próximos temas que escreverei aqui no Blog).

Algumas sugestões de músicas (citarei apenas algumas ok?) que podemos usar nesse momento:
- A Palavra de Deus já chegou, nova luz clareou para o povo, quando a bíblia sagrada se abriu….
- Fala Senhor (Banda Bom Pastor).
- Quero levar essa bíblia
- Escuta Israel
- Tua Palavra é lâmpada
- Preparai o caminho

Deus abençoe!
Jorge

12 de Novembro de 2009

MISSA - PARTE 3 - Glória (Hino de Louvor)

Arquivado sob: Liturgia - Missa — admin @ 11:31

O canto de Glória (ou Hino de Louvor) é mais uma dessas partes da Missa que possuem fórmula específica e precisamos respeitá-la. Mas para respeitá-la é bom entendê-la, não é mesmo?
Quantas e quantas vezes não achei que bastava alguma música que contivesse em sua letra os dizeres “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo“… mas não é bem assim, pois o Estudo 79 da CNBB sobre a Música Litúrgica no Brasil diz claramente: “O Glória… não constitui uma aclamação trinitária (como muitos pensam - louvor ao Pai, Filho e Espírito Santo).

O correto é que nesse momento se louve ao Pai e ao cordeiro.
Como assim? Bom… vou tentar esclarecer melhor a respeito desse canto. Por isso, reuni informações de várias fontes diferentes, mas com certeza confiáveis, ok? Vamos lá…

Como todo rito litúrgico o Hino de Louvor (que já vem desde os primeiros séculos da Igreja) possui uma teologia, um sentido e um porque. Vejamos a explicação desse canto tão profundo em seu conteúdo no próprio Missal Romano, número 53:

O Glória é um antiqüíssimo e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto deste hino por outro…“.

Vamos entender: a Igreja nos diz que há dois pontos que precisamos levar em conta: glorificar e suplicar ao Pai e ao Cordeiro (Jesus Cristo). E ainda: não podemos substituir esse texto por qualquer outro, assim, manteremos a comunhão com a Igreja.

Importante também é que em sua letra contenha:
“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados”.
Logicamente que não apenas isso e basta, mas esse hino tem sua origem naquele canto dos anjos que ressoou pela primeira vez nos ouvidos dos pastores de Belém, na noite no nascimento de Jesus (cf. Lc 2,4).

Na sua origem, o ‘Glória’ era entoado durante o ofício da manhã. Só bem mais tarde – por volta do século IV – é que aparece prescrito na liturgia eucarística do Natal podendo ser entoado apenas pelo bispo. Esse costume se prolongou por muito tempo. Porém, no final do século XI já há notícias do uso do ‘Glória’ em todas as festas e domingos, exceto na Quaresma. Então os presbíteros já podiam entoá-lo.

O ‘Glória’ pode ser dividido em três partes:

a) O canto dos anjos na noite do nascimento de Cristo: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados’;

b) Os louvores a Deus Pai: ‘Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso: nós vos louvamos, nós vos bendizemos, nós vos adoramos, nós vos glorificamos, nós vos damos graças pro vossa imensa glória’;

c) Os louvores seguidos de súplicas e aclamações a Cristo: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo Jesus Cristo’

O ‘Glória’ termina com um final majestoso, incluindo o Espírito Santo. É importante lembrar que esta inclusão não constitui, em primeira instância, um louvor explícito à terceira pessoa da Santíssima Trindade. O Espírito Santo aparece relacionado com o Filho, pois é neste que se concentram os louvores e as súplicas. Em outras palavras: o Cristo se mantém no centro de todo o hino. Ele é o Kyrios, o Senhor que desde todos os tempos habita no seio da Trindade.

O que temos visto de errado nas celebrações? Ou seja, o que temos cantado?
Vejamos alguns exemplos de músicas que não poderiam ser cantadas como Hino de Louvor:

- Glória, Glória ao Pai Criador, ao Filho redentor e ao Espírito: glória
- Glória a Deus, Glória a Deus, Glória ao Pai…
- Canto louvores ao Pai, canto louvores ao Pai a Ele louvores e glória
- Glória a Deus Pai, Glória a Deus Filho, Espírito de amor (CD Cantai Louvores a Deus - Laercio Oliveira).

De preferência que hino de louvor seja sempre cantado e não rezado.

Ainda: como se trata de um hino de louvor é importante a participação de toda a assembléia e não apenas do ministério de música. Sendo assim, é de grande utilidade que a assembléia aprenda a cantar o hino para que no momento certo cante em conjunto com o grupo de canto.
Também é pode ser executado alternadamente em dois grupos.( Exemplo: coral - povo )

O Glória é um hino de alegria é útil bater palmas, erguer os braços, repicar os sinos expressando esta alegria. É cantado ou recitado nas missas solenes seja nos domingos ou sábados ou nas festas de Santos.
Canta-se ou recita-se nos domingos fora do Advento e da Quaresma, bem como nas solenidades e festas, e em particulares celebrações mais solenes. É excluído na Quaresma e no Advento pelo fato de um hino festivo não sintonizar com um tempo penitencial.

Uma das características do hino é não ter refrão, no entanto, algumas de nossas assembléias ainda estão desacostumadas, por isso os refrãos ajudarão em sua participação que é primordial.
Baseada no texto oficial do Missal Romano a CNBB também aprovou um texto trabalhado e organizado poeticamente que ajudará na assimilação da assembléia.

Geralmente o Glória não se diz em dia de semana porque se cantado ou recitado em dias comuns perderia o seu sentido da Festa e Solenidade que acontece nos Domingos e festas.

Uma boa referência para leitura: o livro “Cantando a Missa e o Ofício Divino” (Paulus 2004), do músico e liturgista Frei Joaquim Fonseca.

Alguns exemplos de músicas que podem ser cantadas e que seguem de acordo com a liturgia:

- Glória a Deus nas alturas (Comunidade Shalom - CD Na dança da Vida)
- Glória a Deus nas alturas (Comunidade Shalom - CD Ressuscitou)
- Glória a Deus nas alturas (Comunidade Recado - CD Cânticos para missa -faixa 6)
- Glória a Deus nas alturas (Comunidade Recado - CD Cânticos para missa -faixa 7)
- Glória a Deus nas alturas (Eliana Ribeiro - CD Espera no Senhor)
- Glória a Deus nas alturas (Toca de Assis - CD Jesus Sacramentado Certeza do Céu)
- Glória a Deus nas alturas (Padre Ney Brasil)

Recomendo ainda os seguintes sites: Coral São João Batista e Cantemos, pelo grande acervo de músicas que podem ser utilizadas em Missas.

Espero que esse artigo tenha sido de tão grande valor à você quanto foi para mim. Pois com essa pesquisa pude desfrutar de momentos de grande aprendizado e apreciar ainda mais a beleza de nossa Igreja e de toda a sua liturgia.

Deus abençoe!
Jorge

11 de Novembro de 2009

Reunião de Conselho

Arquivado sob: Grupo de Oração, Liturgia - Missa, padres — admin @ 13:17

Queridos, mais uma vez quero deixar claro que não sou dono da verdade e nunca fui, mas abaixo seguem algumas opiniões do Meu Ponto de vista, ok? Espero que sejam úteis a vcs…

O que eu entendo por reunião de conselho é o seguinte: trata-se (como o próprio nome já diz) de uma reunião com os coordenadores de cada pastoral e lideranças de uma forma geral com o fim de resolver possíveis problemas, propor melhorias para igreja, organização de eventos, criação de novos projetos, etc, etc, etc…

No entanto, para se fluir bem uma reunião de conselho e principalmente obter bons resultados (pois é o que esperamos) é extremamente necessário uma boa organização e uma administração firme.
Por exemplo: devemos ter um presidente (ou grande responsável) pela reunião. De preferência o padre ou alguém que ele nomear e que esteja bem claro aqui: deve ser alguém com boa visão geral de todas as atividades da comunidade (por isso acho melhor o padre).
O padre como presidente deste núcleo pode nomear alguns “cargos”, assim fica mais fácil de administrar: um cuidando das finanças, outro responsável por eventos em geral e por aí vai…
Assim, ao invés do padre ficar indo de pastoral em pastoral ele já terá as pessoas certas, os coordenadores ou responsáveis por cada núcleo.

Bom, é claro que na reunião de conselho a presença de um coordenador ou representante direto é mais que indispensável.
E aqui o ministério de música também precisa se impor. Talvez um Coordenador geral dos ministérios ou dependendo de cada realidade haverão dois ou mais representantes. Mas o por quê do ministério de música em uma reunião de conselho?
Porque tudo o que for discutido também terá o nosso aval. E muito mais do que isso: devemos ser um com a Igreja, mostrando que não estamos ali apenas para tocar e ir embora, mas nos preocupamos com o bem estar de todos e que buscamos cada vez mais uma Igreja mais unida, mais Santa e que serve melhor.

Uma reclamação por partes dos músicos que é muito comum de se ver é o seguinte: “Ah, decidiram isso e aquilo na reunião de conselho e nem nos avisaram…” “Ah, agora o ministério de música será obrigado a fazer isso ou aquilo…e eu não concordo…”
Irmãos, por isso é importante a presença do Ministério de Música em uma reunião de conselho, pois quando fazemos a nossa parte ninguém terá o direito de reclamar depois.
Talvez em algumas realidades seja melhor a presença de alguém responsável pela Liturgia de um modo geral, mas é um risco, pois essa pessoa terá uma responsabilidade imensa de manter o ministério de música informado sobre tudo o que estiver acontecendo. E outro problema seria o seguinte: ele tomaria as decisões por nós, o que não é muito aconselhado também. Por isso, melhor participar mesmo…

O ministério de música costuma ser muito atacado nessas reuniões, pois alguns integrantes dizem que não temos compromisso ou que só estamos de “oba-oba”… e mais uma porção de coisas que não são verdades. Somos UM com a Igreja e temos o nosso valor, porém só seremos respeitados e tratados como devemos se fizermos a nossa parte, se mostrarmos que realmente estamos aptos e viver uma cumplicidade verdadeira com as outras pastorais. Eu sei muito bem que cada um deve cuidar do que é seu e não se intrometer na atividade dos outros, mas demonstrar compaixão, interesse e oferecer ajuda aos outros membros da Igreja não é nada demais, aliás é nossa obrigação.

Bom, voltando à reunião de conselho:
- O presidente inicia colocando os assuntos em pauta.
- Cada coordenador já deve trazer seus assuntos anotados, suas datas para possíveis eventos, etc. Nada de ficar lá na hora lembrando sobre o que se tem para falar. Isso só atrasa mais a reunião.
- Esteja sempre presente um representante de pastoral ou ministério, caso o principal responsável precise faltar.
- Evite-se comentários demasiadamente extensos e desnecessários. Isso também gera stress, atrasando a reunião e provocando cansaço nos integrantes.
- Ninguém espera de uma reunião de conselho algo extremamente sério e sem brincadeiras, muito pelo contrário, deve haver sempre um clima de alegria e fraternidade, afinal estamos ali pelo mesmo propósito e somos todos amigos, porém precisamos saber ponderar as coisas, senão cairemos naquela do “fala, fala e nada acontece…”
- Pontualidade “Britânica”. Respeitem os horários e comecem e finalizem no horário estabelecido. Ganharemos mais respeito entre as pessoas, que vão acreditar cada vez mais que ali há um trabalho sério.
- O presidente terá o papel de distinguir quando uma determinada conversa está saindo do eixo e colocar todos de volta à direção certa.
- Reunião de conselho não é lugar de “lavar roupa suja”, ou seja, brigar com os irmãos de comunidade, ou ainda ficar apontando defeitos, etc.
O correto seria expor as falhas/problemas que houveram em algum dia e tentar encontrar uma forma de não acontecer mais. Estamos na Igreja e cadê o exemplo do perdão? Não acreditamos nisso? Então… nada de pecuinhas e brigas…. se for para participar da Comunidade e ficar só querendo arrumar briga é melhor ficar em casa. Por isso, é importante que antes da reunião de conselho haja um momento de oração para que tudo ocorra bem segundo a benção de Deus.

- Talvez uma idéia bem frutuosa seria um caderno de presença com a assinatura de todos os presentes. Por quê disso? Porque é bom termos um histórico, mas além disso, no futuro seria possível saber quem estava presente na reunião quando foi tomada uma decisão específica.

Adquirir uma boa estrutura leva tempo e exige-se não apenas boa administração, mas bom planejamento e compromisso, por isso devemos seguir devagar, um passo de cada vez, e, logicamente sem esquecer de nossa realidade. Não adianta querer implementar algo completamente distante, futurístico, que vimos em algum lugar, pois nem sempre o que é bom para um será bom para nós.

Tenho certeza que muitos de vocês poderão contribuir muito nesse artigo, pois há muito o que se falar ainda…

Grande abraço
Jorge

27 de Outubro de 2009

MISSA - PARTE 2 - ATO PENITENCIAL

Arquivado sob: Liturgia - Missa — admin @ 12:55

Bom, vou tentar falar um pouco sobre o 2º momento da missa: O Ato Penitencial.

“Em seguida, o sacerdote convida ao ato penitencial, o qual, após uma breve pausa de silêncio, é feito por toda a comunidade com uma fórmula de confissão geral e termina com a absolvição do sacerdote; esta absolvição, porém, carece da eficácia do sacramento da penitência“. (IGMR - Instrução Geral do Missal Romano)

Eu costumo dizer que em algumas partes da missa nós nunca podemos deixar de usar as “fórmulas“, caso contrário ficaríamos fora de um contexto já definido pela Igreja e por toda a sua liturgia. E o Ato Penitencial é mais um desses momentos em que “devemos” utilizar dessas fórmulas.

O que são fórmulas?
São como que regras, “partes fixas”, onde devemos seguir uma linha de raciocínio já estabelecida pela Igreja. Em outras palavras é assim: não devemos mudar o conteúdo das letras ou pelo menos não mudar a essência ou sua parte principal.

No caso do Ato Penitencial nós aclamamos e reconhecemos a bondade de Cristo e pedimos Sua misericórdia.
E segundo o missal romano temos as seguintes possibilidades para fazê-lo:

1. Em forma de ladainha
2. E utilizando a fórmula: Confesso a Deus

Em forma de ladainha, onde a fórmula é a seguinte:
Senhor tende piedade / Cristo tende piedade / Senhor tende piedade.

Vejam só um detalhe interessante à saber: (segundo o Missal Romano também…)
Cada uma das aclamações diz-se normalmente duas vezes, o que não exclui, porém, um maior número, de acordo com a índole de cada língua, da arte musical ou das circunstâncias“.

Trata-se do Kyrie, que é uma aclamação a Cristo-Senhor, que como já dito acima, reconhecemos a bondade e misericórdia do Senhor, ao mesmo tempo que reconhecemos nossa fraqueza e limitação.
Ele é o Kyrie, o Senhor, maior que nossas limitações e falhas.

Para que esse rito atinja seu total significado teológico litúrgico seria ideal que o solista propusesse as invocações a Cristo Senhor e toda assembléia respondesse “Tende piedade de nós”.
As invocações previstas pelo missal romano são variadas conforme o tempo litúrgico. Contudo, isso não impede que nossas equipes ministeriais de liturgia e canto, seguindo a mesma teologia do rito, evidenciada e proposta no esquema apresentado no missal romano e a liturgia da Palavra de cada celebração componham invocações que traduzam a palavra de Deus e a realidade da comunidade celebrante
.” (Texto extraído do CD de liturgia da Comunidade Recado).

A outra fórmula do Ato Penitencial é o “Confesso a Deus” - também prevista no missal romano acrescido da invocação ” Piedade de nós”, conforme o modelo abaixo:

Confesso a Deus todo-poderoso e a vós irmãos e irmãs, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos anjos e santos e a vós, irmãos e irmãs, que rogueis por mim a Deus nosso Senhor.
S.: Deus todo poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.
T.: Amém.
Senhor, tende piedade de nós!
Cristo, tende piedade de nós!
Senhor, tende piedade de nós!

Não é necessário que este canto seja muito “Florido”. A simplicidade é a melhor forma de expressar o arrependimento. A música deve lembrar-nos que somos pecadores e precisamos da misericórdia de Deus.

Outro motivo de não “florearmos” muito este canto é justamente porque devemos guardar nos momentos próprios, O SILÊNCIO SAGRADO, também citado no Missal Romano, onde a natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no Ato Penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior.

Por isso, do meu ponto de vista é primordial que nós músicos criemos um ambiente de simplicidade enquanto executamos nossa música, pois adicionando muitos instrumentos, vozes e acima de tudo “muito barulho” fica difícil mergulharmos no mistério do silêncio sagrado.

Outra coisa que todo músico deve estar atento é que temos também o Tempo Pascal, onde ao invés do padre fazer o costumado ato penitencial pode-se fazer, por vezes, a bênção e a aspersão da água em memória do batismo.

Neste caso é interessante termos em mãos músicas próprias de aspersão ou batismo, conforme acordado com as equipes ministeriais de liturgia e canto.

Certas coisas são difíceis de conciliar, por exemplo tocar e cantar, mas ainda: enquanto fazemos isso devemos ao mesmo tempo vivenciar o momento em que estamos, ou seja, nós músicos não estamos apenas cantando para a assembléia, mas estamos PARTICIPANDO da Santa Missa e por isso precisamos pedir perdão também.
Não estamos ali apenas tocando para as pessoas, mas é também um momento de interiorização e reflexão para nós. Por isso, não perca a oportunidade de pedir perdão ao Senhor.

Assim, como em toda a missa não é momento para brincadeiras ou conversas. Não é momento de se preocupar com qual música será tocada depois ou preocupar-se excessivamente com a parte técnica que será executada, caso contrário você acabará não vivenciando esse momento tão lindo da Santa Missa.

Precisamos ainda, ter a sensibilidade de ver se o Padre quer fazer parte conosco, por exemplo: é comum vermos padres carismáticos cantando ou conduzindo orações enquanto fazemos um solo ao fundo.
Tudo isso deve ser acertado de preferência antes da celebração para evitar qualquer tipo de desespero ou preocupação. Lembre-se: tudo deve ser feito com muita simplicidade.

Após recebermos o perdão de Deus, concedido por sua infinita bondade através da invocação do Sacerdote, estaremos aptos à 3ª parte da Santa Missa: O Hino de Louvor - O Glória, nosso próximo tema.

Deus abençoe!
Jorge

2 de Outubro de 2009

MISSA - PARTE 1 - CANTO DE ENTRADA

Arquivado sob: Liturgia - Missa — admin @ 14:02

Veja a importância deste canto: Ele deve marcar toda a celebração. Não se esqueça disso!

É a primeira expressão de alegria dos irmãos que se encontram. Deve marcar a união e a alegria de um povo em festa, juntando os corações ao encontro de Jesus Ressuscitado. o,

Alguns toques importantes:

- Primeiro de tudo: esteja atento com o comentarista, se o padre e a procissão de entrada não já estão prontos para entrar. Se não há alguém olhando para o ministério de música com aquela cara de: “E aí, podemos começar?”
Demonstrem que de fato vocês já estão preparados para o início da Santa Missa.

- Nada de correrias de última hora: procura de folhetos ou aquele músico distraído que sempre pergunta: “Qual é a música de entrada mesmo?
Se for o caso, deixe cada um com o seu próprio folheto.

- Procure colocar uma música que tenha a ver com o tema do dia (em especial com o Evangelho). E apesar de ser imprescindível saber o tema do dia, não podemos esquecer do tempo litúrgico, por exemplo: Quaresma, Advento, etc…
Perceba que, nesses tempos e dias específicos são necessárias músicas com melodias mais suaves ou mais festivas.

- É interessante que toda a assembléia cante, por isso cuidado com músicas inéditas. Neste caso é interessante um ensaio antes da missa, de modo que todos aprendam bem a música. Outra sugestão seria a utilização de folhetos.

- A vantagem do povo responder com um refrão (cantado de cor!) a alguns versos, entoados por um cantor ou coral, é de os fiéis mais livremente poderem olhar para a procissão de entrada dos ministros.

- Não devemos colocar canções demasiadamente extensas. Por quê? Pelo certo a música deve terminar quando o sacerdote estiver no altar, pronto para fazer a saudação inicial.
Um descuidado comum de vermos é o seguinte: o padre já está no altar e precisa ficar aguardando o ministério de música finalizar a música.
Precisamos ter a sensibilidade de saber que nem sempre é necessário cantar a música inteira. Por isso, é importante o entrosamento com o padre e com toda a equipe litúrgica. Veja se realmente é necessário prolongar-se demais…

Por ser um canto que vai marcar toda a celebração precisamos que as pessoas sintam em que tipo de celebração elas farão parte. Pense mais ou menos assim: se alguém da assembléia já se irritou na primeira canção (seja por falta de paciência ou outro motivo), imagina no resto da celebração.

Por outro lado, inseridos totalmente no ministério a ser celebrado, transbordaremos a essência do que as pessoas vieram buscar: uma experiência de amor com Deus e a vivência do santo sacrifício, sempre vivo e atual.

- Tenham ensaiado também algumas músicas de saudação (Ou pelo menos tenham as cifras em mãos). Pois alguns padres gostam de cantar músicas como: “Deus Trino, Seja bem-vindo irmão, etc…”
Ou seja, músicas de acolhida e boas-vindas…
Não há nada mais embaraçoso do que ver os músicos tentando achar as notas, o tom, etc… enquanto a assembléia toda nota o nosso desespero.
Então minha dica é essa: se você sabe que o padre gosta de cantar, se ele pede sempre as mesmas músicas, então já tenha ali a sua “colinha”.
Aliás, se são sempre as mesmas músicas porque não aprendê-las de cor? Ótima oportunidade para aprender…

- Lembre-se que o canto de entrada tem de deixar a assembléia em um estado apropriado para a escuta da Palavra de Deus.


Há centenas de exemplos de cantos de entrada, mas citarei apenas alguns para termos uma idéia:

- Te Amarei
- Deixa a Luz do Céu entrar
- Quem é filho de Deus (Vida Reluz - CD Deus Imenso)
- Dia de Festa (Eliana Ribeiro - CD Espera no Senhor)

Sintam-se livres e bem-vindos para postar aqui suas dicas também, ok?
No próximo artigo falarei sobre o próximo momento: O Ato Penitencial

Abraço fraterno,
Jorge

1 de Outubro de 2009

O Padre e o Ator

Arquivado sob: Liturgia - Missa, Fé - Perseverança, padres — admin @ 09:06

Geralmente escrevo meus próprios artigos, mas hoje resolvi colocar essa história (coletada da internet mesmo), onde poderemos refletir sobre o que acontece em muitas das nossas celebrações…

Havia dois irmãos. Um resolveu ser padre e foi para o seminário. O outro preferiu seguir carreira como ator. Muitos anos se passaram sem que se vissem.
Alguns anos mais tarde, finalmente os dois se encontraram na casa dos pais. Nessa ocasião, os dois irmãos combinaram que um visitaria o outro quando estivesse exercendo a sua “profissão”.

Algum tempo depois, sentado no meio da platéia, diante do palco onde dentro de instantes seu irmão ator entraria em cena, o padre esperava. Quando as cortinas se abriram, o padre ficou de “boca aberta”. Cenário bem montado, palmas vibrantes, atenção e silêncio, o som harmonioso da orquestra, tudo perfeito.

O apresentador começou a falar (sem papel na mão). Explicou o sentido da peça para os dias de hoje. Falou sobre o autor, os atores e os detalhes do cenário. A apresentação foi um sucesso. Quando as cortinas se fecharam, todos, de pé, não paravam de aplaudir.

Muitos foram ao camarim do irmão ator para parabenizá-lo. Comentavam trechos da peça… tiravam lições para suas vidas.
Chegou o dia em que o ator visitaria o irmão padre. Encontrou-se, então, sentado na igreja, cercado por uma fria assembléia, num auditório não muito confortável. Olhava para o altar, onde um cenário sem muita criatividade parecia não ser trocado há muitos anos.

De repente, alguém tomou um desafinado violão e pôs-se a exigir que todos o acompanhassem em uma melodia que não era possível escutar devido ao barulho de uma estridente bateria.

Foi então que surgiu seu irmão. Lá na frente, ocomentarista leu alguma coisa. Mas não se pôde entender muito bem o que iria acontecer, nem a importância disso para os dias de hoje. Não havia palmas. Por outro lado, em nenhum momento houve silêncio completo.

No final da missa, o padre voltou para a sacristia. Só o irmão ator foi cumprimentá-lo. O padre perguntou-lhe:

- Por que as coisas são assim? Lá no teatro as pessoas eram tão atenciosas. Aqui tudo parece ser diferente. Que acontece?
E o irmão disse: - Você quer minha opinião sincera? - Claro… diga o que você pensa! - respondeu o padre.

E o ator disse: - É que lá nós representamos mentiras como se fossem verdades, e aqui vocês representam verdades como se fossem mentiras!!!

Realmente é para se pensar…. Por isso, se você pode fazer algo para ajudar sua comunidade, sua paróquia, seu padre… não perca tempo! Vá em frente, pois Deus merece o nosso melhor!

Grande abraço,
Jorge

25 de Setembro de 2009

Missas demoradas

Arquivado sob: Liturgia - Missa — admin @ 11:33

Eu não tenho problema algum em participar de missas extensas, mas desde que sejam bem celebradas, bem preparadas. Dá gosto de participar de uma celebração onde vemos a equipe litúrgica inserida no mistério, atenta em cada momento que acontece, quando vemos o padre transbordando espiritualidade e amor na grande missão no qual foi chamado.

Não sou radical também ao ponto de julgar que sempre somos obrigados a acertar e estar inspirados, pois acontece sim de imprevistos acontecerem, cometermos gafes e etc…
Mas o que não aceito é o desleixo e a falta de zelo. O que não aceito é ver sempre os mesmos erros e mesmo sendo avisados não procuram melhorar, dando de ombros para a nossa opinião. Isso é lamentável… É triste ver como confundem as coisas… acham que quando damos uma opinião, uma dica ou até mesmo um conselho, é porque estamos querendo aparecer ou interferir. Não é nada disso, pois o que queremos é o melhor para todos, uma celebração mais bonita, mais organizada e principalmente mais santa.

Eu já participei de missas com mais de 3 horas de duração e que nem percebi o tempo passar, de tão maravilhosa que foi…. mas também já participei de missas de 1 hora que pareceram uma eternidade, tamanho o cansaço que ela me proporcionou. Desde os músicos despreparados até o padre, que por um motivo ou outro fez com que a beleza da Santa Missa se perdesse em meio a interesses humanos.

Eu vou confessar a vocês algo que me incomoda demais: eu não suporto quando o momento dos recados se estende… é de me tirar a paciência e a paz que eu conquistei na missa.
Os recados devem ser rápidos e resumidos. Não é momento de se fazer uma reunião (como infelizmente já vi acontecer). São padres que querem explicar tim-tim por tim-tim o que vai acontecer em determinado dia. São homenagens extensas… e por aí vai…
Para quem tiver interesse eu recomendo dar uma lida no artigo “Momento dos Recados” que escrevi há algum tempo atrás.

Padre Pio celebrava missa com mais de 3 horas no início de seu sacerdócio. Só depois de mais velho, em especial quando começou a ficar muito doente é que suas missas terminavam mais rápidas. E nem por isso o povo deixava de participar, muito pelo contrário, se apaixonavam pela forma como era celebrada. Havia amor, dedicação e acima de tudo o mistério acontecendo. E o que é mistério? É fonte inesgotável de graça…

Hoje procuro missas mais rápidas por pura necessidade. Tenho um bebê de um ano, onde para quem é pai/mãe sabe o quão é complicado… pois os bebês choram, se irritam, sentem fome, etc… e precisamos realmente cuidar deles. Sendo assim, há um tempo para cada coisa. Quando quiser e der para participar de missas mais extensas vá em frente, participe mesmo! Quando não der opte por aquelas que você sabe que são mais curtas. E outra: ninguém deve ser julgado ou crucificado por essas escolhas.

Do mesmo modo em que devemos respeitar a Missa, fazendo nosso silêncio, orando e participando intensamente, assim também os organizadores também precisam respeitar a assembléia. Como assim? A equipe litúrgica, padres, ministério de música, etc, precisam respeitar SIM a comunidade, pois precisam entender que ali há muitas pessoas visitando a paróquia pela primeira vez, outros vêem de outras cidades e estão de passagem rápida, ou ainda, quem sabe não há deficientes físicos ou portadores de necessidades especiais… idosos, crianças, etc, etc… Quando temos em mente que esse público está presente nós precisamos dar o nosso melhor. Até mesmo para que eles voltem.

É inaceitável (de novo na hora dos recados) ficar falando a respeito do que vai ser discutido na reunião do conselho. Ou ainda: chamar lá na frente os organizadores, coordenadores, líderes de tais eventos para explicar o que vai acontecer em tal evento. Ou seja, há coisas que realmente só interessam para as equipes que trabalham na comunidade, na paróquia. Os simples participantes (assembléia) estão ali humildemente e respeitosamente aguardando muitas vezes uma desorganização de nossa própria parte.

Se formos há um teatro ou cinema e chegarmos 5 minutos atrasados perderemos o início da peça ou filme, não é?
Por isso, passemos a ser mais justos e nada de ficar esperando aquele músico chegar ou o ministro que é amigo de não sei quem e etc…
Um padre com bom pulso e zelo pelas pessoas vai saber como cuidar disso tudo.

Grande abraço
Jorge

27 de Abril de 2009

Escolhendo músicas para missa

Há padres que exigem de seus ministérios de música a execução de músicas exclusiamente dos folhetos de missa, pois esses cânticos seguem a liturgia, além de estar em unidade com toda a Igreja. No entanto, estaremos em união SIM com a Igreja, mesmo cantando outras músicas, porém seguindo a liturgia à risca. Por isso, vou relatar aqui algumas dicas de como escolher as músicas corretamente para missa.

É importante dizer ainda que, um bom músico não deve ser preguiçoso, ou seja, precisa saber de liturgia. Não tenha preguiça de ler, de estudar… Não estou dizendo que é preciso devorar todos os documentos da CNBB ou estabelecer regras rígidas, mas se queremos fazer algo bem feito é preciso conhecimento, pois a Palavra de Deus diz que o “povo peca por falta de conhecimento”. E fazer algo bem feito é sinal de nosso amor por Deus.

Bom, aqui no site Oficina da Música Católica você encontrará um link chamado “Formação”. Nele você verá uma sessão chamada “Igreja”, onde estão disponíveis alguns downloads de documentos importantes da Igreja, que ajudarão principalmente aos músicos, entre eles o Missal Romano. Olha só que legal…

Além de documentos propriamente ditos, há CDs, videos de formação, enfim, muita coisa boa para se ver e ouvir, onde é possível aprender muito e consequentemente saber selecionar as músicas para a celebração da Santa Missa de forma correta.

Então vamos as dicas na escolha das músicas:

1. Se você tiver condições de ter em mãos o folheto da missa antecipadamente, ótimo, assim já te ajudará bastante.
E como? Com o folheto você terá em mãos toda a liturgia, as leituras da missa, os momentos, etc.

2. Como eu disse é preciso um conhecimento (ainda que mínimo de liturgia), por isso não se esqueça do Tempo Litúrgico que vive a Igreja (se é quaresma, tempo normal, etc). Aliás, recomendo o link “Liturgia” aqui do site Oficina da Música Católica. Ali eu dou dicas importantes das músicas que podem ser utilizadas.

3. Prepare tudo antecipadamente. Nada de chegar 30 minutos antes da missa e selecionar as músicas.

4. Quando sentar para preparar as músicas esteja em mãos com caneta, papel, bíblia, louvemos e se você tiver o hábito de ter documentos da Igreja, ótimo. Tais como CIC (Catecismo da Igreja Católica), Doctos da CNBB, tais como IGMR (Instrução Geral do Missal Romano), etc…
Por que é importante tais documentos quando estamos selecionando as músicas? Porque eles nos tirarão muitas dúvidas, além de enriquecer nosso conhecimento, colocando por exemplo coisas que são permitidas e que não sabíamos. Por exemplo, você sabe o que é a “sequência pascal”? Então, através desses documentos vamos aprendendo…

5. Se você tiver em mãos outros livros católicos, com letras, cifras, partituras, tudo será útil também. Mas assegure-se que as novas músicas estão bem ensaiadas.
Se de vez em quando você quiser dar uma variada, ou seja, colocar novas músicas na missa esteja à vontade, desde que:
- o conteúdo da letra seja litúrgico;
- você está pensando na realidade da assembléia (se a música é apropriada para crianças, jovens, idosos, etc);
- se são canções onde o povo poderá participar (aqui vale a distribuição de folhetos ou utilização de projetores);

6. Cuidado ao escolher músicas demasiadamente longas. Por exemplo o cântico de entrada deve terminar quando o sacerdote chegar ao altar.
O ofertório não pode ser tão extenso a ponto do padre ficar parado aguardando o ministério terminar a canção.
Atenção também com as introduções, pois as vezes ficamos muito tempo no solinho do teclado ou guitarra que até começar a música mesmo já se foi o tempo…

7. Em especial para as músicas novas: leia com cuidado toda sua letra. Perceba se o conteúdo é adequado. Por exemplo aquela música “renova-me”. Não é música de Ato Penitencial, ok? (Relembro que estudando um pouquinho de liturgia vamos entendendo os motivos).
O Glória também… não é só porque a música diz “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo” que podemo ser usadas.

8. Experimente colocar músicas que tratem diretamente com o tema do dia. Imagine por exemplo que o Evangelho do dia fala sobre o Filho Pródigo. Então tente colocar as músicas de forma a refletirmos sobre isso. Faça com que as pessoas saiam da missa lembrando o foco principal.

9. Não devemos escolher uma música só porque ela é bonita. Gosto é gosto e a beleza de cada música depende muito da forma em que a executamos.

10. Deixe sempre algumas músicas de “backup”. Alguns momentos podem se prolongar, por isso é bom termos mais de uma opção para vários momentos.

11. Também é interessante ter em mãos algumas músicas que você sabe que o padre sempre pede de última hora. Não tem nada mais embaraçoso do que ficar “catando milho” na frente da assembléia. Músicas como: Deus Trino, Parabéns pra você, Oração pela família, Nossa Senhora, A nós descei divina luz, etc… estão sempre as mais pedidas pelos padres…

12. Cantos muito floridos ou ainda com a melodia difícil de ser seguida pela assembléia também deve ser levado em consideração. É mais lícito escolhermos músicas onde todos possam cantar com facilidade. Não pense apenas no ministério de música.

13. Sobre o salmo: procure não substituir o salmo por outras canções. Também não procure lê-lo, pois o próprio nome Salmo quer dizer isso: música acompanhada por instrumentos musicais. Há CDs belíssimos para nos ajudar. Uma observação aqui: preste atenção no tipo de salmo que será cantado. Se fala de súplica ou louvor, ação de graças, etc. Para cada tipo há uma forma mais adequada para tocar. Nada de bateria, bater palmas e muita animação no salmo 51 por exemplo…
Ensaiem bem o salmo. E o mais importante é aparecer a voz do Salmista e não os instrumentos.
Que o salmista leia e entenda o salmo. Que ele perceba que relação há entre o salmo e as leituras. Isso é importantíssimo, pois vai nos ajudar de que maneira deveríamos cantá-lo. Se com alegria, etc…

14. Siga de acordo com o tema do dia. Se você percebe que é um dia de mais recolhimento coloque canções mais suaves.

15. Se é dia do padroeiro ou alguma festa também vale a pena colocar músicas com esses temas.

16. Ao chegar na igreja chegue com tudo em mãos. Nada de ficar naquela correria perguntando onde está o louvemos e as cifras…. Assim todos terão mais tranquilidade para se preparar e quem sabe até uma ensaiadinha com a assembléia antes da missa.

17. Principalmente se for um padre novo: pergunte se ele costuma cantar algumas partes específicas da missa ou se ele prefere que seja rezado: tais como: Deus Trino, Pai Nosso, Cordeiro, Paz, Amém, Oração Eucarística… esteja em sintonia com o padre. Assim vocês não serão pegos de surpresa.
Ah, há aquelas missas de cura e libertação da RCC (Renovação Carismática Católica), onde os padres acabam cantando e pedindo mais músicas. Vale muito a pena uma conversa antecipadamente. De repente ele já te passa quais músicas costuma pedir….

18. Não deixe como responsável apenas uma pessoa para separar as músicas. Todos os integrantes do ministério precisam aprender liturgia, pois além de rica ela é linda. De vez em quando façam um rodízio para quem poderá separá-las. Ou melhor ainda, se todos estiverem juntos preparando as músicas, assim vocês estarão em formação constante.

19. Pense também se no dia os músicos terão folhas em mãos, ou seja, se estarão em posições confortáveis, com microfones disponíveis, etc.
Imagine por exemplo 3 pessoas com um único folheto lendo e cantando todos ao mesmo tempo. Fica complicado, né?

É muita coisa não é? Mas garanto que é prazeroso. Dar o nosso melhor a Deus sempre vale a pena, pois “o que poderemos retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que Ele fez em nosso favor?” (Sl 115).

Deus abençoe!
Jorge

24 de Outubro de 2008

Músicos envolvidos

Uma coisa que realmente me chama a atenção é quando vejo uma música sendo executada e todos os seus integrantes estão cantando.
Ontem no programa Academia do Som da Canção Nova estava o Dunga, mas percebi que na maioria das músicas que ele cantava os outros músicos cantavam juntos… independente de ter um microfone com eles (e realmente não havia).

Aí parei para pensar… se eles cantam juntos não é porque a música é simplesmente bonita, mas porque aquilo os envolvia. E é isso que precisamos em nossa vida de ministério: estar envolvidos com as músicas que tocamos e cantamos.
Quando há unção nós sentimos vontade de fazer parte dessa experiência. Nesse caso que eu citei os músicos se interessaram em cantar, pois com certeza a letra, a melodia, enfim, algo os tocava, motivava, impulsionava.

Claro que nem todos gostam de cantar, mas se possível, se vc quiser…. vc que é instrumentista faça a experiência de cantar também. Enquanto o vocalista estiver cantando, vc ali do seu canto, com o seu instrumento, saboreie também a canção. Sinta o que a letra da música traz até você, pois ela é capaz de mexer com o nosso interior, é capaz de tocar em nossos sentimentos, de nos trazer uma cura, uma libertação. Tudo depende de quão envolvidos nós estamos.
Entendo perfeitamente que muitas vezes apesar de não estar cantando podemos sentir o que a música está nos passando. E isso acontece comigo também, pois muitas vezes não canto. Mas o que estou dizendo é principalmente à vc que nunca fez essa experiência.

Não seja indiferente, frio… a música tem o poder de transformar.
E detalhe, agora por experiência própria: quando você percebe que outro do seu ministério também está cantando vc se alegra. Aí você olha para o outro lado e percebe que outro instrumentista também está experimentando da mesma graça… e assim todos vão cantando…. a assembléia também…. e todos se envolvem. O povo perceberá que não importa pra vcs se serão aplaudidos ou se estão tocando mal, mas eles perceberão que algo naquela música é capaz de mexer com vocês, com seus corações e sentimentos.

E isso é o que desejamos a todos: que se envolvam, que deixam a unção do Espírito Santo acontecer em suas vidas, seja através de nossos instrumentos ou de nossas vozes.
Vamos dar mais esse passo…

Deus abençoe!
Jorge

18 de Outubro de 2008

Uma briga com a Campanha da Fraternidade

Arquivado sob: Liturgia - Missa, Coordenadores, padres — admin @ 13:36

Quando eu entrei para Igreja existia algo que realmente me incomodava: eram as campanhas da fraternidade. Sou sincero em dizer que não aceitava tocar suas músicas, partilhar suas experiências, enfim…

Hoje tenho minhas conclusões ainda, mas queria deixar um pedido:
Precisamos estar em comunhão com a Igreja, em especial com a CNBB, pois se nos foi colocado a CF (Campanha da Fraternidade) é porque existe a benção da Santa Sé, ou seja, do papa. Porém, não podemos perder a espiritualidade que é própria da época da quaresma, que é o jejum e a penitência.

Não podemos esquecer que vivemos um momento de dor, pois se trata de Jesus que será crucificado e morto.
Por isso a minha briga com a CF, pois eu sempre considerei que fala-se demais dela e pouco do sofrimento de Jesus.

Eu ainda tenho muito o que aprender, mas uma coisa é certa: a unidade precisa acontecer sempre, por isso nada de rebeldia. Nada de achar que nosso ministério que é o certo e que nossa espiritualidade é a que vale.
Aqueles que são líderes devem incentivar os servos, as famílias, o povo a participar daquilo que a Igreja vive. E não alimentar uma briga que não levará a lugar nenhum.

Bom, você deve ter notado que escrevi sobre a CF em uma época em que não tem nada a ver, mas foi proposital. Para viver bem esse período precisamos de tempo para estudá-lo, ver suas propostas e como será nossa participação.
Por isso, acesse a página da CNBB e conheça mais a fundo do que se trata a CF.
Também disponibilizei aqui no site Oficina da Música Católica, link “Downloads e Cifras” o hino da Campanha da Fraternidade 2009.

Abraço fraterno,
Jorge

16 de Outubro de 2008

Salmo surpresa

Estávamos uma vez diante do sacrário, adorando a Jesus (geralmente finalizamos o grupo de oração fazendo esta adoração). Aí me lembro que a pessoa que estava conduzindo a oração neste dia falou assim “agora nós vamos cantar um salmo ao Senhor… um salmo onde possamos adorá-lo…

Confesso que fui pego de surpresa, pois realmente eu não esperava por aquilo. Na realidade já estava dedilhando uma outra música no violão e só estava esperando ela terminar para começarmos a cantar.
Bom, na hora mudei os planos e tratei de pensar em algum salmo (e que ainda precisava ser de adoração, exaltação ao Senhor, pois era o momento que estávamos experimentando).

Por incrível que pareça não me vinha nenhum na cabeça e eu dedilhando o violão como que tentando achar alguma melodia, algo que eu pudesse lembrar rápido. Fui mudando as tonalidades, o dedilhado e nada… Comecei a ficar um pouco tenso porque a pessoa insistia: “…vamos, vamos cantar um salmo em adoração ao Senhor…
Vejam só que fria… rsss…

Bom, no final deu tudo certo, pois lembrei de um salmo e finalizamos o grupo.
Logicamente no final conversei com essa irmã e expliquei que algumas coisas precisam ser “combinadas”. Não sair pedindo qualquer música e há qualquer hora. Claro que conversei numa boa e ela entendeu que eu tinha ficado numa “saia justa”.

Com tudo isso refleti no seguinte: precisamos SEMPRE estar preparados. Não basta fazer uma listinha das músicas que vamos tocar no grupo de oração. No início até entendo, mas com o tempo é bom ter um acervo de músicas, dos vários momentos que são utilizados no grupo.

Pensei também a respeito do seguinte: todos os domingos nós músicos estamos acostumados a tocar o Salmo de resposta, porém vem a dúvida: será que sabemos mesmo o que estamos cantando? Se o salmo é de ação de graças ou súplica, se é um salmo de louvor ou poéticos, enfim… nós músicos precisamos ter mais intimidade com os Salmos, pois tenho certeza que muitas vezes após sair da Santa Missa nem lembramos mais que salmo foi cantado.

Precisamos de mais intimidade com os salmos para também rezá-los com eles, para também levá-los ao coração das pessoas. Para inserí-los no nosso dia-a-dia.
Faça essa experiência: após a missa tente lembrar quais foram as leituras do dia. Com isso você estará medindo seu nível de atenção com a liturgia da Palavra.
Uma boa ajuda também é ter o costume de ler as leituras do dia e não simplesmente se prender só às leituras do domingo.

Em um livro do monsenhor Jonas Abib, diz que salmos são como frutas, que são bem-vindas em todos os instantes.
Sempre é bom ler e meditar um Salmo.

Meu convite final é esse: sermos salmistas de verdade, que experimentam profundamente o que esses hinos podem fazer em nossas vidas.
Assim não seremos pegos de surpresa nos mais diversos dias de nossas vidas.

Deus abençoe!
Jorge

7 de Outubro de 2008

Padres vs Servos

Arquivado sob: Grupo de Oração, Liturgia - Missa, Coordenadores, Jovens, padres — admin @ 11:05

Claro que não vou criar polêmica com esse assunto, mas vejo que é importante falar a respeito.
Alguns integrantes da igreja, como por exemplo servos de grupos de oração, ministério de música, equipes de liturgia, etc, têm encontrado problemas no relacionamento com seus sacerdotes.

O que acontece? Muitas vezes há resistência do padre em apoiar alguns trabalhos, “dar carta branca” para certas atividades, enfim… E por quê? Porque vemos muitos abusos, falta de preparo, falta de zelo, falta de formação…

Por outro lado, o padre também conta com uma colaboração mais afinco dos servos, na participação de reuniões, trabalhos específicos, etc. E nem sempre os servos querem compromisso. Só ajudam se forem atendidos primeiro.
E aí gera aquela briga, né?

Em particular vemos resistência de padres que não são muito adeptos à RCC e com isso o grupo sofre, pois ficam limitados na execução de seus ministérios.

Sei também que há sacerdotes turrões, que não ficam satisfeitos com nada que fazemos. As vezes temos até a impressão que a perseguição é só com a gente, pois damos duro, enquanto que outras pastorias são as queridinhas do padre. Não é isso o que pensamos? Às vezes estamos errados, mas nem sempre…
É difícil conviver com um sacerdote que não acompanha nosso trabalho, não incentiva nosso esforço, ou até mesmo critica aquilo que estamos fazendo. Colocam sempre defeito em tudo o que é feito.
E preciso dizer aos padres agora: é por isso que muita gente boa está saindo da igreja. Infelizmente preciso dizer que parte da culpa também é deles. Talvez não inteiramente, mas são bastante responsáveis.
Concordem ou não… são formadores de opiniões e com isso a fé dos fiéis é altamente comprometida.

Bom, minha opinião pessoal diz que ambas as partes estão erradas quando não querem se abrir para um diálogo, para saber mais a respeito e ter uma boa formação sobre algum assunto.
Do meu ponto de vista sempre precisamos sentar e conversar, mas principalemente quando as alfinetadas estão querendo surgir.

O que não podemos é falar mal do nosso padre, criticá-lo e dizer que ele não entende nada. Não é por aí… Na realidade assim é que não vamos conquistá-lo mesmo, pois se existe orgulho da nossa parte, do lado do sacerdote também, pois é um ser humano e quem sabe não pode usar de sua autoridade (errando ou não) e nos proibir de fazer o que gostaríamos?

Todos temos muito o que aprender. Todos temos que dar uma chance e ouvir.
Jesus se sentava com os pecadores e cobradores de impostos, nós no entanto não queremos ouvir aqueles que trabalham conosco pela mesma causa. Depois não me venha falar em perdão e humildade.
E aquela passagem do Evangelho que diz que antes de apresentarmos nossa oferenda ao Senhor devemos nos reconciliar com nosso irmão?

Pois então irmãos, vamos manter a calma, pois o ambiente que Deus está presente é aquele onde há paz.
Temos muito mais a ganhar se trabalharmos juntos.

Aos sacerdotes queridos preciso dizer: temos muitas pessoas boas na igreja. Cheias de boa vontade e loucas por uma oportunidade. Quem sabe não é a hora de abrir o coração e investir nesses irmãos?
Termino pedindo vossas bençãos.

Abraço fraterno,
Jorge

29 de Agosto de 2008

Momento dos Recados

Arquivado sob: Grupo de Oração, Liturgia - Missa, Coordenadores — admin @ 08:56

Lembrei de algo que ainda não havia comentado aqui no BLOG: o momento dos recados após o grupo de oração ou ao final da missa.

Às vezes acabamos de participar de uma missa maravilhosa e estamos cheios de paz, quando de repente: a hora dos avisos estraga tudo! Por quê digo isso? Porque em algumas comunidades vemos uma tremenda desorganização neste momento. Vamos às coisas mais “comuns”:

- o comentarista dá tantos recados, mas tantos, que no final já esquecemos 80% deles;

- recados com muitíssimos detalhes, por exemplo: nos passam a data de um evento que vai acontecer daqui 3 meses, informando inclusive o endereço, cep, telefone da pessoa de contato, etc. Fora quando não vem uma mini-homilia do que será esse evento;

- outra coisa infelizmente comum de se ver: usam o momento dos avisos para chamar a atenção da assembléia por algum motivo, como por exemplo: dizer que os dizimistas não estão contribuindo ou que as pessoas precisam vir ao grupo de oração ou na reza do terço no meio da semana, enfim…

- dar recados sobre campanhas políticas (muitas vezes até pedindo votos!!)
- longas homenagens e agradecimentos;
- repetem o mesmo recado várias vezes;
- pessoas que nunca vêem em sua comunidade e de repente aparecem, só para dar os seus recados. (E detalhe: não deixam o comentarista falar);

- outro problema: forma-se uma fila ao lado do comentarista, onde cada um quer dar o seu próprio recado. Neste caso o comentarista fica em uma “saia-justa” danada, pois não pode ser indelicado com as pessoas, ainda mais diante de toda a assembléia.

- chegam de última hora e entregam um papel de qualquer jeito para o comentarista, dizendo para ele dar o recado. Às vezes ele já está dando os recados quando chegam “os atrasados”.

Queridos irmãos, vejam só quantas falhas e quantas coisas tristes de se ver. Eu poderia continuar enumerando e tenho certeza que você já viu muita coisa errada também.
Afinal, o que é preciso fazer: conversar com as lideranças e se for o caso participar das reuniões de conselho da comunidade. Levar esse assunto para frente sim, porque é lamentável assistir tamanha desorganização. Pense que muitos estão vindo pela primeira vez na comunidade e não são obrigados a passar por isso não.

Para quê existe o mural de recados se todo mundo quer subir no altar para falar do seu evento, do seu trabalho?
Há trabalhos que acontecem toda semana na igreja (e todo mundo sabe disso), mas fazem questão de anunciar. Por exemplo: “venham participar do grupo na terça-feira… venham rezar o terço todas as sextas… e etc…”
Que tal avisarmos então uma vez ao mês? E depois colocamos o recado no mural. Não precisa ficar avisando toda a semana. É só mais tempo que vamos levar na hora dos recados…

Tem igreja que só na hora dos recados leva quase 30 minutos. É um absurdo!
Gosto muito quando vou em missas e vejo que o próprio padre dá os recados. Gosto porque vejo que a maioria deles sabe como falar, pois resumem, não ficam dando um moooonte de recados. Claro que alguns se excedem e acabamos na mesma, mas a maioria não nos decepciona (rss..).

No grupo de oração também acontece o mesmo problema, mas de modo diferente. Vejam só:
- Há coordenadores que adoram um microfone e pegam a hora dos avisos para fazer uma pregação. Se querem falar sobre um retiro dizem que é muito bom e contam até como foi sua experiência certa vez. E aí vem tooooda aquela história.

- Outra coisa comum: fazer uma “maratona” de orações. Como diz um amigo meu: “as ladainhas”.
Já rezamos o grupo inteiro e no final ainda tem: “Jesus manso humilde de coração”… ave-maria, oração de não sei o quê… e assim vai…

- Ah… tem a “benção solene” também…. alguns coordenadores (ministros ou não) fazem uma cerimônia para despedir o povo que parece brincadeira. Fazem quase a fórmula da missa inteira para finalizar o grupo. Por exemplo: além de fazer o “O senhor esteja conosco…” mas o problema é que depois fazem todas aquelas orações que geralmente fazemos no final da missa…. “O Senhor se compadeça de vós… e que mostre vossa face…”

Gente, estamos no grupo de oração e não na missa. Cuidado com os excessos… os abusos… por isso que a RCC é atacada… as vezes por falta de discernimento dos próprios líderes.

Melhor fazer algo mais simples, mas discontraído e não demorado, pois você já percebeu que tanto na missa quanto no grupo se você demorar demais o povo se dispersa? Começam a conversar e nem prestam mais atenção. Só que o problema é que os amantes dos microfones continuam a falar e falar….
No caso da missa levamos o caso para a reunião de conselho, mas no grupo devemos levar para a reunião do núcleo (que no fundo tem o mesmo sentido).

É preciso abrir a mente dos coordenadores que fazem isso. Não tenham medo de falar. Chamem de canto e com tranquilidade conversem a respeito, dizendo se o momento dos recados não está sendo um pouquinho cansativo para o povo. Se não daria para ser algo mais dinâmico. Algo “diferente”.

Acho que é por isso que já vi muita gente indo embora da missa sem a benção final, pois não aguentaram tanta demora na hora dos recados.
E pra fechar com chave de ouro vem os parabéns. Chama-se todos os aniversariantes, aniversários de casamento, bodas, enfim…. só aí já foi quantos minutos?
Não estou dizendo em ter pressa na celebração, pois já participei de missas com 3 horas de duração que para mim foram uma benção, realmente maravilhosas. Mas estou dizendo que precisamos fazer as coisas bem feitas.

Bom, peguei um pouco pesado aqui hoje, mas espero que não me levem a mal e que tenham entendido.
Não é uma questão de ser apenas crítico, mas para aqueles que tiveram paciência de ler espero que me ajudem a levar essa mensagem para frente, afinal todos nós queremos o melhor para nossa igreja, não é verdade?

Deus abençoe!
Jorge

27 de Agosto de 2008

Cifras Católicas

Frequentemente recebo solicitações de cifras e partituras católicas. E não acho ruim, muito pelo contrário, sinto-me feliz quando posso ajudar, mas realmente é difícil atender todos os pedidos.
Na página principal do Oficina da Música Católica você encontrará um link chamado Downloads e Cifras. Ali você poderá baixar o louvemos, além de midis. Espero que te ajude!

Além disso, há um link aqui no site também onde falo que você pode tocar qualquer música em qualquer tom. Você escolhe! Acesse: “Progressão”.

O fato é que após algum tempo de músico vamos deixando “a cola” de lado, ou seja, procuramos não ficar tão presos às cifras e partituras, pois já estamos acostumados e para aqueles que estudam a técnica é um fator que faz diferença mesmo.
Minha dica é: além de estudar (não em uma escola), mas digo estudar-treinar as músicas que você deseja aprender. Acompanhe com as cifras sim, mas depois tente tocar sem olhar. Quando estiver seguro coloque em outro tom. E depois volte para o tom original. E aí você vai tentando sem olhar. É o segredo para ganhar mais confiança em tocar sem olhar.

As cifras devem nos ajudar principalmente quando estamos começando e não conhecemos as músicas, mas não devemos ficar presos à elas. Conheço pessoas que tocam há muitos anos na igreja e simplesmente não conseguem tocar se não houver “a folhinha” em sua frente. Mas sabe o que é isso? Insegurança. Você pode sim meu irmão. É só se esforçar um pouquinho que vai. Faça o que te falei: tente ir tocando aos pouquinhos e memorizando, mas depois largue a cola…

Quando comecei a tocar em grupo de oração eu sempre ficava com o louvemos do meu lado. Até aí normal, pois muita gente faz isso. Mas sabe onde perdemos com isso? Deixamos de ganhar na qualidade de condução do grupo e até mesmo “no sentir da música”. Não vemos a expressão das pessoas e com isso o RHEMA fica comprometido. O RHEMA é a direção de Deus. É preciso sentir isso… ver como está fluindo o grupo. E quando ficamos presos somente nas cifras deixamos de observar isso.

Da mesma forma na missa: se ficarmos olhando o tempo inteiro para o louvemos, partituras, etc, deixamos de observar a riqueza que está acontecendo no altar. Quantas vezes eu no momento do ofertório fiquei olhando para as cifras e tocando, enquanto o padre lavava suas mãos para o momento que viria a seguir: o sublime momento da transformação do pão e vinho em corpo e sangue. E também não olhava quando o padre levantava as oferendas ao céu e oferecia-as a Deus Pai. Eu perdia a chance de ver essa maravilha.
São gestos e ritos lindos que poderíamos aproveitar melhor, olhando e se apaixonando pela riqueza da liturgia. No entanto, estamos ali exercendo nosso ministério, porém de cabeça baixa e com medo de errar os acordes.

Não será o caso de ousar um pouquinho mais? Você pode meu irmão. Se até eu consegui (pois achava que não ia conseguir nunca) todos podem conseguir.

Da mesma forma os cantores. Eu já presenciei por exemplo o seguinte: o irmão sabia muito bem cantar a música, mas por estar com o folheto em mãos preferia ficar lendo e cantando “quadradinho” para não errar. Ou seja, a dinâmica fica comprometida. A unção fica comprometida. E a emoção que poderíamos dar não é a mesma.
Tente decorar. Decorar é isso: “de-cor… de-coração”.
Posso apostar que seu canto será lindo e mais frutuoso!

Finalizando: os louvemos, cifras e partituras, folhetos de missa, serão sempre bem-vindos, mas não podemos ser escravos deles!

Deus abençoe!
Jorge

25 de Agosto de 2008

Dicas aos Salmistas

Vou tentar colocar aqui pra vocês algumas dicas que considero úteis aos salmistas.

- Dê preferência em CANTAR o salmo, pois o próprio nome já diz: que se trata de CANÇÕES utilizadas com instrumentos;

- Particularmente não acho legal substituir o salmo por uma música de meditação. Embora eu já tenha lido em documentos que podemos escolher uma música de reflexão que responda à primeira leitura. Mas faça o seguinte: aprenda o salmo. Com certeza será melhor;

- Apenas um salmista. Nada de um monte de gente no ambão da Palavra. Os outros podem entrar no refrão juntamente com a assembléia;

- Não deixe para conhecer o salmo minutos antes de cantá-lo. É sempre bom ENTENDER do que se trata o salmo. Tendo a idéia principal do salmo ficará mais fácil sua execução. Quando entendemos a letra não ficamos tão presos aos folhetos e poderemos até olhar para as pessoas. Seremos capazes de colocar até mesmo mais emoção em nosso canto;

- Quando cantamos precisamos ter a certeza que o som está claro para as pessoas. É triste quando vamos em uma missa e não conseguimos entender o que diz o salmista, pois ele canta “para dentro” e a dicção não é clara;

- Não coloque uma introdução TÃÃÃO grande antes de cantar o salmo. (Ou até mesmo aqueles solos demorados no meio da música). Estamos na missa e não em um show. Com certeza se você fizer com carinho e atenção será capaz de identificar qual a melhor forma de aplicar os tempos;

- Quando for escolher o ritmo que será dado ao salmo é bom estudá-lo antes, para saber se trata de um agradecimento, louvor, pedido de perdão. Veja se você acha que tem cabimento colocar bateria, todos os instrumentos, aquele ritmo alegre enquanto você diz: “lavai-me Senhor e ficarei mais branco do que a neve… não retireis de mim o vosso Santo Espírito (cf Sl 51)”. Lembre-se que além de estudar o salmo é preciso ter discernimento;

- A utilização de instrumentos também deve ser levada em conta. Nem sempre todos os instrumentos deverão participar, em especial nos tempos de quaresma e advento. (Até podem ser usados, mas com muita sabedoria e descrição);

- Dê preferência à ritmos que sejam fáceis para assembléia entender e até cantar junto nos refrões. Alguns ritmos “quebrados” ou acelerados demais podem ser de difícil compreensão e acompanhamento;

- Tente novos ritmos, conheça novos ritmos. Se não houver músicos com o dom da criação compre CDs de liturgia, pois há uma infinidade de formas de cantar o salmo. (Nesta dica vale lembrar que em algumas paróquias o padre já tem como definido a forma que sempre deverá ser entoado este cântico, ok? Neste caso, seguimos na obediência);

- Eu tenho para mim que o refrão deve ser cantado (e tocado) sempre diferente das estrofes, assim evitamos certa “mesmice” na música inteira. O que tornaria a música um pouco tediosa;

- Não faça do local onde será cantado o salmo um palco, onde você quer mais a atenção do que todos em sua volta. Simplesmente cante com simplicidade e volte para o seu lugar;

- Nossa postura sempre será observada, por isso nada de chamar a atenção com o excesso de gestos, danças, etc. O ambão da Palavra não é lugar disso;

- Cuidado também com a aparência. Não vá muito “emperequetado”, com roupas que chamem a atenção (roupas curtas, etc). Mas lembre-se de ir bem vestido e com roupa limpa. Mostre que aquele momento é importante para você, por isso dê-lhe toda a dignidade que ele merece;

- TERMINANTEMENTE PROIBIDO dar recados, fazer “mini-homilias”, contar historinhas, conduzir orações, testemunhos, enfim… vc entendeu. Ali é para recitar o salmo, cantar o salmo;

- Ficar acenando para as pessoas também não é legal. Lembre-se que naquele momento a Palavra de Deus precisa atingir os corações. Depois você conversa com seus irmãos;

- O fato de cantarmos o salmo não nos dá título de sermos melhores que ninguém. Por isso, nada de arrogância com as pessoas. Não ache que você é o máximo, ok?

- Dê oportunidade para aqueles que sentem o chamado a serem salmistas. Mas para isso é sempre importante o ensaio e a formação. Cuidado para não entitular alguém como único e exclusivo salmista. (Uma sugestão seria fazer escalas - nos casos onde houver vários salmistas);

Bom, espero que as dicas tenham sido úteis pra vocês. Caso queiram relacionar mais itens ou adicionar algum comentário estejam à vontade, ok? É sempre um prazer ver a participação dos irmãos aqui no BLOG.

Deus abençoe!

Jorge

8 de Agosto de 2008

Namoro na missa

Arquivado sob: Grupo de Oração, Liturgia - Missa, Namoro / Casamento, Jovens — admin @ 08:16

Missa não é lugar de namorar. É o lugar dos namorados. Veja que diferente e que bonito.
Os namorados devem estar juntos SIM na missa, mas não de namoricos…
Desculpe-me falar, mas não é legal você participar de uma missa e ver um casalsinho se acariciando, beijando no pescoço, enfim….

Da mesma forma, no grupo de oração também não é propício ficar o tempo inteiro abraçado, pois ali é um lugar de oração, onde estamos buscando intimidade com o Senhor. Estamos buscando forças, enchendo-nos de bençãos e de paz. Partilhamos com os irmãos nossas vidas e experimentamos os carismas.

O comportamento que um casal precisa ter na missa ou no grupo de oração é o mesmo: mansidão, respeito… e todas as coisas que nós sabemos.
O triste é quando vemos um mal exemplo que vem dos próprios membros da Igreja. E não podemos deixar isso acontecer.

Veja como na Palavra de Deus temos algo sério que pode ser aplicado à nós. Está no evangelho de Mateus 18, 15-17:
“Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano”.

Olha aí… aquele que não se comporta está sujeito a ser exposto.

É melhor ter uma postura de cristão verdadeiro. As pessoas admiram isso. Deus se alegra com isso.
Se hoje muitos julgam o comportamento dos católicos é porque não viram aqueles que dão testemunho de verdade. De casais que oram juntos, participam da missa juntos, têm trabalhos em suas comunidades.

Imagine o seguinte: se você estivesse com o seu namorado ou sua namorada diante da Cruz, no dia que Jesus foi para o calvário. Imagine-se em Jerusalém, naquela colina chamada Gólgota.
Como vc se comportaria? Vc seria capaz de ficar beijando o pescoço dela na frente de Jesus?

Desculpe-me pegar um pouco pesado nos comentários, mas a missa tem muita importância e precisamos dar esse testemunho: de quanto valorizamos o santo sacrifício do calvário.
A missa sempre terá lugar para os namorados… lembre-se disso!

Deus abençoe!
Jorge

25 de Julho de 2008

Comportamento musical

Eu já fui bem mais crítico do que sou hoje. Mas isso não significa que eu abri mão das coisas ou esteja fazendo pouco caso… tampouco estou sendo indiferente. Mas com o tempo nós vamos amadurecendo em algumas coisas.

Vejam só: Eu tenho um amigo que é guitarrista e é um dos melhores que conheço, apesar dele nunca ter estudado teoria musical. Quando ele começou a tocar em comunidade mesmo era comigo que ele tocava, em nossa comunidade. Mas ele tinha um probleminha: se distraía facilmente na missa e acaba não prestando atenção na homilia do padre, pois quando eu percebia ele estava sempre brincando com o violão e tirando algum solinho.
Aí eu cutucava ele e dizia “depois vc toca, vamos prestar atenção no padre…” E assim fomos caminhando… confesso que muitas e muitas vezes eu me sentia um “mala”, de ficar chamando a atenção dele, mas no fundo eu queria o melhor pra ele. Mostrar que existe um tempo para cada coisa e queria que ele percebesse o quanto era importante participar mesmo da missa. Não estar apenas de corpo presente.

Bom, anos depois participei de um retiro para músicos e vi esse irmão testemunhando como foi seu início na Igreja, quando para minha surpresa ele relatou esse caso. E o que me impressionou foi que ele agradeceu por eu ter sido tão “chato” com ele…. rsss… talvez ele não gostasse das minhas chamadas de atenção, mas que anos depois ele entendeu o porque.
Comigo Deus também realizou essa obra, pois mostrou-me que aquilo que parecia ser uma “perseguição” da minha parte na realidade não era. Era para o bem dele. Nunca brigamos por isso… era apenas uns toques que eu dava: “…agora não irmão… vamos prestar atenção no padre… depois a gente toca…”

Um músico precisa ter um comportamento exemplar, mas não porque somos os melhores, longe disso. Mas porque estamos em uma posição onde os outros estão nos olhando o tempo inteiro. Muitos nos julgarão com os olhos, por isso se não dermos testemunho de nada adianta o nosso tocar.
As pessoas devem ver em nós músicos que não estamos ali apenas para tocar, mas que há Alguém que nos amou primeiro e nos chamou a ser músicos Dele. Tocamos para Ele, com Ele e Nele. A razão do nosso ministério é Ele, Jesus.

É comum ver músicos “sumirem” na hora da pregação, seja em um grupo de oração ou missa.
Desculpe-me, mas não é desses músicos que precisamos.
Precisamos de músicos que queiram também saborear a Palavra e beber da graça que vem do alto.

Eu acredito que preciso muito ainda aprender a conversar com as pessoas. Porque seres humanos têm seus sentimentos à flor da pele e não é todos os dias que irão aceitar nossos comentários e nossas cobranças.
Jesus não obrigava ninguém a nada, mas convencia a todos com o seu jeito de ser.

Que aprendamos a ser assim: não apenas jogar a semente, mas saber regá-la diariamente.

Deus abençoe!
Jorge

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