11 de Dezembro de 2009

Aguardando o momento certo

Arquivado sob: Fé - Perseverança, EU - Jorge — admin @ 09:13

Quando eu comecei a trabalhar eu tinha 16 anos de idade e meu emprego foi em um escritório de contabilidade, como office-boy, o que na época eu não gostava, pois meus amigos já trabalhavam internamente como auxiliares, assistentes e outras funções. O fato é que eu me sentia inferior à eles, achando que meu salário era o menor, que meu emprego era o pior, que o local onde eu trabalhava era o mais longe e que eles sabiam muito mais coisas do que eu na vida profissional.
Talvez um pouco de manha? Talvez… Um pouco de “chororô” como dizem…. e lógico que em graus maiores isso chegaria a um complexo de inferioridade. Mas não foi o meu caso…

Quase três anos depois mudei de empresa (na qual estou até hoje - quase 13 anos!), e desta vez para trabalhar como arquivista em um escritório de advocacia. E boas notícias dessa vez: eu trabalharia interno e meu salário era o dobro do que eu ganhava. Porém, a distância quase que triplicou, onde (até hoje) levo no mínimo 4 horas no trânsito. Mas até aí não considerei esse o maior problema. Acontece que como arquivista eu passava a maior parte do dia em pé dentro dos arquivos deslizantes, o que fazia minhas pernas doerem demais. Então eu pensava: “quando eu era office-boy pelo menos eu ficava andando, então não doíam tanto, com excessão das gigantescas filas de banco, que me faziam amaldiçoar minha função”. Infelizmente era assim que eu pensava. Apesar de temente à Deus, não tinha costume algum de ir à igreja e muito menos interesse por qualquer tipo de espiritualidade.
Trabalhando como arquivista eu tive que suportar 1 ano de dores nas pernas, em seguida peguei minhas férias. Quando retornei recebi o que eu considero até hoje como presente de Deus, um convite para trabalhar na área de informática (no qual me formei e continuo trabalhando até hoje).

Acontece que não temos a plena visão das coisas e penso que isso é natural. Temos a tendência de sempre estar reclamando por alguma coisa. Ao invés de agradecer pelo que se tem é mais fácil reclamar pelo que não se tem.
Claro que eu agradecia pelo que tinha, aliás agradeço até hoje, mas existe um lado humano, não sei bem ao certo dizer que lado é esse que nos faz reclamar do que conquistamos ou aprendemos.

Hoje entendo muita coisa, mas com certeza há muito mais coisas que não sei e que um dia serão claras para mim. Talvez seja como aquele versículo da bíblia que diz: “Agora vemos como que em espelho, obscuramente, mas então veremos face a face..” Um dia entenderemos o porquê das coisas e agradeceremos pelo que passamos, pois tudo é aprendizado, conhecimento. Por isso, temos que tomar cuidado com nossas palavras e comportamentos no tempo presente.
Hoje eu vejo o quão importante foi trabalhar como office-boy, quantas coisas eu aprendi, como fiquei mais esperto… e assim com todas as profissões e áreas da vida.

Na Igreja acontece algo parecido. Começamos como quem não quer nada e aceitamos qualquer coisa que nos passem, pois o “importante é servir a Deus”. Nosso coração está alegre, em festa e de fato somos puros para tantas coisas. Mas depois de algum tempo exigimos posições e achamos que por estar a mais tempo na igreja temos algum direito a mais que outros irmãos. É como se pedissemos um aumento de salário por ser velho de casa. Achamos que temos o direito de ocupar posições de liderança e coordenação, enquanto que os outros devem colocar a mão na massa.
Mas não é nada disso: temos que continuar trabalhando sempre da mesma forma e com o coração e em paz. Do contrário, não adiantará nada o nosso esforço.

Como músico da Igreja eu queria no início aprender logo, “ser bom logo”, mas não é assim que funcionam as coisas. No caso da música, exige-se muita dedicação e estudo, mas só colocando em prática mesmo o que aprendemos. E isso leva tempo, é preciso passar por muitas experiências e das mais diferentes formas e situações. No entanto, o aprendizado também vem através de quedas, perdas e derrotas. Por isso não podemos nos frustrar. Faz parte. Nos torna mais fortes para o desafio de amanhã.

Talvez hoje você não esteja entendendo muita coisa, quem sabe (do seu ponto de vista) até sofrendo injustiças, mas é como eu disse acima: hoje vemos que em espelho, mas depois tudo se tornará claro, nítido.
Não temos a plena visão das coisas ainda. Mas amanhã saberemos um pouquinho mais.

É o exercício da paciência e perseverança, onde o tempo se encarregará de nos ensinar tudo no devido momento. Da nossa parte cabe confiar.

Grande abraço,
Jorge

2 de Julho de 2009

Músicos estacionados

Deus quando toma uma decisão Ele não brinca ou fica em cima do muro como nós, por isso se você recebeu o chamado para servi-lo, seja na música ou em outro ministério acredite: é pra valer! Deus vai te capacitar e te dar tudo o que for necessário para que você cumpra BEM a missão.

Lembro que certa vez liguei para um irmão chamando-o para cantar comigo em uma missa e então ele disse:
“Ah irmão… vc sabe como está minha situação… EU ESTOU PARADO… não estou mais cantando no grupo de oração e até mesmo na missa raramente apareço… nem m e considero mais músico…”
E eu (insistente como sou) repliquei: “Mas irmão, como você me fala uma coisa dessas? Vc pode até estar passando por um momento difícil, mas não diga isso. NÃO DIGA QUE NÃO É MÚSICO E QUE SEU MINISTÉRIO ACABOU, porque Deus age através de você. Esse é o ministério que Deus lhe confiou, é um DOM que Ele te deu..”

Bom, acabei não ganhando a discussão, porque de fato ele não aceitou o meu convite e estava super-desanimado. Mas também pudera, eu entendia e respeitei sua decisão. Eu acompanhei bem de perto sua caminhada. Era um irmão dedicado, realmente de Deus. Ativo na comunidade e estava presente em tudo o que podia. Chegou fazer parte de uma comunidade de aliança e tudo caminhava bem. Claro que existiam muitos ventos contras e as provações eram cada vez maiores, mas mesmo assim ele (e seus irmãos) perseveravam na caminhada. Até que aconteceram muitas coisas e resumindo a Comunidade se desfez, ele saiu do grupo e consequentemente houve um rompimento de suas atividades. Aliás, não apenas de sua parte, mas de vários integrantes… vários mesmo, que inclusive hoje estão afetados. Alguns já erguidos, outros se erguendo e infelizmente alguns ainda à se levantar. (E com fé em Deus haverão de superar).

Com essa introdução eu quero dizer o seguinte: muitas vezes nós músicos usamos essa expressão: “Estou parado, não estou mais tocando, cantando…”
Meus irmãos, eu faço um apelo agora: não diga mais isso, que está parado, pois aquilo que Deus nos confiou é para valer. Na realidade também não sei explicar como deveríamos dizer quando não estamos exercendo o nosso ministério, mas o fato é que passamos por momentos de deserto, por momentos de silêncio e pelas mais diferentes experiências e tudo o que não podemos fazer é PARAR. Porque quando paramos de fato, esfriamos. E aí é difícil retomar, é difícil recomeçar, pois conhecemos um outro lado da história, onde já não temos obrigações, mas simplesmente confortos e prazeres, chegando até mesmo a pensar que “é melhor assim, longe da igreja…”
Nunca será melhor ficar longe da igreja! Pois a Igreja é o corpo místico de Cristo e não podemos ficar afastados.

Preciso ser bem transparente com vocês, pois esses pensamentos também me visitam, onde me coloco em dúvidas se de fato estou exercendo o meu ministério.
Por que digo isso? Porque alguns meses atrás eu (e meus irmãos) experimentamos uma dor muito grande e forte, que inclusive nos afeta hoje: o término do nosso grupo de oração. Só Deus sabe o que vivemos e o que passamos. Mas o pior é você terminar algo querendo continuar…. não estou me fazendo de vítimas, pois quem sabe a história sabe do que estou falando. Mas praticamente fomos forçados a encerrar nossas atividades. Foi muito dolorido e ainda é, mas acreditamos na Palavra que diz “tudo concorre para o bem daqueles que amam o Senhor”.

Então quando tudo isso aconteceu fiquei me perguntando: “E agora como vai ser? Como vou servir o Senhor e onde vou exercer o meu ministério? Onde vou tocar e cantar? Pois são as coisas que mais me apaixonei no exercício de servir a Deus…”
Contei com a presença forte e consoladora de minha esposa que sempre me apoiou e me deu forças dizendo: “Calma, Deus sabe tudo… Ele sabe o que é melhor pra nós”
Eu me sentia como um desempregado e que precisa sustentar uma família. Eu queria resolver as coisas rápido e inclusive pensei sobre esse site “Oficina da Música Católica”, no qual cuido com tanto carinho. Pensei: “serei um hipócrita em falar de servir na igreja se agora nem eu estou cantando mais… como vou falar de música se não toco mais o meu violão?…”

Como eu disse acima Deus não brinca e se nos chamou é para valer, por isso tenho aguardado em paz, mas atento, pois Deus sempre fala. E o mais incrível e maravilhoso é que após essa enchurrada de acontecimentos o meu site passou a ser mais acessado. Tenho recebido o triplo de emails que recebia. Estou sendo convidado para pregar em muitos lugares e justamente para falar aos ministérios de música. E sendo bem sincero acabo questionando o Senhor dizendo: “mas Senhor, justo agora o Senhor me chama? Não seria melhor eu me acertar primeiro? Me firmar em um ministério e na comunidade?” Mas a certeza que chega ao meu coração é que todos esses chamados são respostas do Senhor, como que dizendo: “Veja, o seu ministério não acabou. Quem disse que acabou? Foram homens? Eu o Senhor não disse isso, por isso continue… continue a evangelizar… tudo ao seu devido tempo…”
E isso me conforta muito porque lembro da Palavra que diz: “existe um tempo pra cada coisa (Ecl 3)”

E assim tem sido irmãos… vou caminhando, pois se o Senhor colocou essa certeza no meu coração então devo continuar. Continuar evangelizando na certeza que não estou sendo hipócrita, muito pelo contrário, procuro dar à vocês alguma ajuda, qualquer dica, tudo o que eu puder colaborar, pois “de graças recebestes, de graças dai…”

Você pode até estar estacionado, mas não parado, pois são coisas bem distintas. Existe uma grande diferença nisso. Estar estacionado é estar por algum tempo, mas existe uma certeza de recomeçar. Estar parado e sinônimo de abandonar, de não querer mais. E olha só: quem se apaixona pelo Senhor de verdade não pensa em abandonar tudo, pois “um verdadeiro adorador não volta atrás”, como nos diz o padre Roberto da Toca de Assis.

Se alguém me pergunta o que estou fazendo na igreja eu digo: “estou caminhando irmão… devagarzinho, mas eu vou…”
Vamos caminhando na graça, pois o apóstolo Paulo também nos ensinou isso: “Só a graça de Deus já nos basta…”

E quero terminar dizendo a vocês o mesmo que tenho ouvido do Senhor a cada dia:
“O seu ministério não acabou. Quem disse que acabou? Foram homens? Eu o Senhor não disse isso, por isso continue… continue a evangelizar… tudo ao seu devido tempo…”
Eu Jorge, não posso lhe dizer quanto tempo vai demorar essas turbulências, mas posso dizer uma coisa: fomos escolhidos e somos amados. Não somos melhores que ninguém, mas se Deus nos escolheu é preciso ir até o fim… porque vale a pena!

Deus o abençoe!
Jorge

24 de Abril de 2009

Sinal de gratidão

Arquivado sob: EU - Jorge — admin @ 14:15

Hoje vou relatar um testemunho, uma coisa que eu fiz quando meu filho Rafael nasceu, há 7 meses atrás.

No dia em que estava marcado o parto nós fomos para o hospital à tardezinha, apesar do parto acontecer somente às 22h.
Minha esposa e eu decidimos não chamar ninguém, pois só veríamos o bebê mesmo por volta das 01h da manhã, sendo assim não poderíamos ter visitas.
Somente na manhã seguinte.

Bom, enquanto eu aguardava ser chamado (pois eu assisti e filmei o nascimento do Rafael) eu observava o comportamento das pessoas na sala de espera. Via como muitos estavam aflitos e ansiosos. (E não é para menos, pois trata-se de uma experiência maravilhosa).
Então um dos futuros papais que também estava aguardando me viu e disse: “Vc vai ser papai também?”
No qual eu confirmei ele disse: “Nossa, como vc está calmo… nós estamos aqui agoniados…”
Bom, até aí tudo bem, pois eu estava confiante em Deus que tudo daria certo.

Quando eu fui para sala que antecedia a sala de cirurgia eu encontrei com esse rapaz novamente. E encontrei também mais um outro rapaz que também era marinheiro de primeira viagem. Nós três desejamos sorte e felicidades uns aos outros e fomos conhecer nossos bebezinhos.

Graças a Deus foi tudo bem no nascimento do Rafael.
Logo após darmos as boas vindas a ele, a enfermeira encarregou-se de leva-lo ao berçario.
Foi então que notei que todos os pais nesse momento saiam logo atrás tirando fotos dos bebês e ficavam no vidro do berçario babando de alegria. E tudo isso era lindo de se ver.
Eu particularmente não segui a enfermeira. Eu quis ficar na sala de cirurgia com a minha esposa, pois queria ter certeza que tudo ocorreria bem. Aguardei até a médica fechar os pontos (foi cesariana). Só então sai…

Acontece que do ponto de onde eu estava não dava para ver o Rafael (havia uma multidão de pessoas tirando fotos nos vidros do berçario), então resolvi voltar para o quarto e aguardar até a chegada da Jake e do nosso bebê.
Isso era mais ou menos 22:30h e eu só veria ambos após a meia-noite.

Foi então que encontrei os novos papais que estavam comigo na sala de espera. Estavam super-felizes e demos parabéns uns aos outros.
Então um deles teve a idéia de ir lá fora do hospital para “tomar uma” em comemoração, no qual acabei recusando, pois eu queria ir para o quarto.

Chegando no quarto a primeira coisa que fiz foi ajoelhar-se e agradecer a Deus. Emocionado e rindo à toa eu agradecia muito a Deus. Dizia o quanto Ele era bom para mim e para minha família. Dizia que sem o Senhor nada disso seria possível. Eu não me cansava de agradecer e meu coração parecia querer saltar.
Só após esse momento profundo de ação de graças é que eu resolvi ligar para os avós, familiares e amigos.

O que quero dizer com essa história? Que sou exemplo para alguém? De jeito nenhum. Deus me conhece muito bem e sabe que não sou modelo para ninguém, mas com esse testemunho quero lembrar-lhes que sempre é momento de agradecer a Deus. Não podemos lembrar de Deus apenas nos momentos difíceis, mas também nesses momentos de alegria.
Acredito firmemente que o que Deus mais espera de nós é a nossa gratidão. Eucaristia inclusive, significa isso: Ação de Graças.
Quando eu fiquei na sala de cirurgia após o Rafael nascer também era uma forma de eu dizer à minha esposa: “Obrigado Jake… obrigado por trazer à luz o nosso filho…”

No quarto enquanto eu agradecia os outros papais estavam no bar bebendo…. não os julgo de forma alguma (afinal quem sou eu), mas eu tenho certeza que se eu estivesse com eles eu não lembraria de Deus. Eu não falaria oraria da mesma forma. Eu deixaria esse momento passar em branco.

Existe um tempo para cada coisa. E o momento da gratidão sempre é momento, por isso não deixe de render graças ao Senhor. Não deixe de dizer o seu obrigado a aqueles que tanto fizeram e têm feito por você. Não esqueça daqueles que você ama!

Deus abençoe!
Jorge

4 de Novembro de 2008

A morte que nos chama

Arquivado sob: Grupo de Oração, Fé - Perseverança, EU - Jorge — admin @ 13:23

Ontem enquanto voltava do meu curso de inglês fiquei pensando sobre uma passagem do Evangelho que diz: “se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer dá muito fruto..” (Jo 12,24)
E o engraçado é que lembrei dessa passagem por acaso… nem sei o porquê…
Aí quando cheguei em casa, após tomar banho e comer alguma coisa fiquei assistindo o finalzinho de uma pregação do padre Léo, que estava passando na Canção Nova. E vejam que curioso: ele estava falando sobre a morte, que não devemos ter medo, etc, etc….
E foi então que associei as duas coisas: Sem mais e nem menos eu me lembro de uma passagem que dizia a respeito de morte (o grão de trigo precisa morrer), e depois o Padre Léo vem com uma pregação sobre o mesmo assunto. Não tive dúvidas, Deus queria falar algo. Aliás, estou até agora tentando entender, mas vamos à inspiração de hoje…

Fiquei pensando hoje enquanto vinha ao trabalho sobre o trabalho que tenho exercido na igreja… quanto tempo já estou trabalhando para o Senhor, quantos SIM’s eu já dei, quantas provações e dificuldades apareceram pelo caminho, mas sempre perseverei.
Ontem mesmo um irmão me falou o seguinte: “nem todo mundo leva a sério o compromisso como vc…”
Confesso que me bateu uma dor no coração, pois na realidade ele estava me mostrando que muitos no decorrer da caminhada acabam desistindo. E é verdade… já escrevi sobre isso muitas vezes aqui. E essa realidade não está longe da que estou vivendo atualmente, pois vejo minha comunidade e meu grupo de oração caminhando pela graça, pois muitas vezes seus membros sentem-se desanimados, cansados, enfim… realmente é muito difícil.

É difícil continuar caminhando quando você vê que por mais que você se esforce, por mais que vc se doe, as coisas parecem que não caminham. Você espera por resultados e aparentemente não vê nada… onde estão as pessoas nas quais tanto esperamos e gostaríamos de vê-las?
Não tenho medo de ser sincero não: tem horas em que nós não conseguimos ver uma luz no fim do túnel. Aparentemente é o fim… ou pelo menos achamos que ele está se aproximando e nos sentimos impotentes, pois “tudo” o que poderíamos fazer já foi feito (ou está sendo feito), mas nada…. Deus está em silêncio…
Aos poucos vamos desanimando, perdendo o gás e em outras palavras, vamos morrendo… tudo o que era tão bonito e que nos dava tanto prazer parece que foi por água abaixo.
E a Palavra de Deus que me incomoda com tantas passagens, como aquela do Evangelho de João 13, que diz ao meu coração: “Ele amou até o fim…”
E fico pensando se não estou entregando os pontos antes da hora, pois se Jesus amou até o fim, significa que eu também preciso ir….
Por outro lado, algo em nós diz: “… o que mais fazer? Já tentei muitas coisas…. não sei mais o que fazer…”

Estou escrevendo isso na convicção de que muitos estão passando por isso. Posso até apostar…

Foi então que consegui ligar as coisas. “Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer dá muito fruto…”
Nunca é fácil morrer para aqueles que tem sede de continuar. Nunca é fácil parar quando estamos com vontade de seguir em frente.
E fica essa questão no ar: “Será que o meu tempo de servir Deus desta forma acabou? Será que Ele quer que eu “morra”, para que assim dê frutos de uma forma diferente? Será?”
Questionei Deus com muitas perguntas… não tenho vergonha ou receio de relatar aqui. Eu disse no meu íntimo: “Senhor, é isso realmente o que o Senhor quer? Pois não é fácil pra mim…. morrer pra mim é entregar os pontos, desistir. E o Senhor sabe que eu não sou assim, não gosto disso, pois é como se eu desistisse de alcançar a vitória… e todas as minhas lutas? Eu sei que o Senhor viu a tudo isso e me abençoa por tudo isso, mas e aí, como vai ser? Onde eu devo ficar então?
Talvez o meu serviço já tenha sido concluído e o Senhor vê que não posso dar mais nada melhor… é isso?”

Nem sempre…
O Senhor permanece em silêncio…

Eu tento enfrentá-lo dizendo: “olha, o futuro da minha comunidade, do meu grupo, do meu servir, daquilo que gosto de fazer está em jogo… se o Senhor permanece em silêncio o que eu faço? Pois do jeito que está…. já viu…. faça alguma coisa Senhor, fala-nos alguma coisa…”

Será que chegou a minha hora de morrer? Talvez… Deus é quem sabe e por isso permanece no silêncio. Mas se Ele está no silêncio assim eu também devo permanecer: caminhando, trabalhando (e com alegria), mas também em silêncio, não tendo medo que, se Ele me quiser morto é porque uma ressurreição frutuosa está prometida para mim, pois o Senhor é justo e não se esquece daqueles que trabalham pelo seu reino.

Queridos irmãos, a mensagem é essa: não podemos ter medo de morrer quando o Senhor nos coloca essa condição, pois só daremos muitos frutos quando ressuscitarmos da forma que Ele deseja para a nossa vida.
Continue caminhando, mas aguarde com paciência… muitas vezes há confusões em nossas cabeças, por isso não tome decisões precipitadas. Deus sabe tudo.

Um coração adorador não volta atrás.
De certo, aqueles que o Senhor chamou sempre terão tarefas a fazer. Não se preocupe tanto e seja mais feliz com o que tem desempenhado. Apenas não se acomode. Continue caminhando!

Deus abençoe!
Jorge

31 de Outubro de 2008

Deus falou comigo!

Arquivado sob: Fé - Perseverança, EU - Jorge — admin @ 13:02

Vejam só como Deus fala conosco:
Nesta semana houve um dia em que eu reclamei bastante do meu trabalho, das coisas que tenho feito ultimamente, enfim, sendo bem sincero: eu fui um chato o dia inteiro e só fiquei reclamando. Não descarreguei em ninguém, mas como ser humano também sou falho (e sei muito bem que preciso me policiar quanto a isso) e assim foi o meu dia.
Quando chegou à noite em casa, era 23:59h e tocou o meu celular. Adivinhem…. ligação do meu trabalho…. aí fiquei mais 20 minutos resolvendo um problema com uma pessoa, que graças a Deus no final deu tudo certo e pude ajudá-la, pois realmente era um caso urgente. (Devia ser mesmo, pelo horário…rsss…)

O fato é que, eu passei o dia inteiro reclamando e quando chegou o meu horário de descanso ainda tive que trabalhar… mas por incrível que pareça eu atendi com boa vontade e sem reclamar.
Mas quando desliguei o telefone ainda dei uma última chorada, dizendo à minha esposa: “olha só isso… já tive um dia que foi um saco e ainda tenho que trabalhar nesse horário…”
Minha esposa respondeu: “Não fica assim, amanhã é outro dia e pensa que pelo menos você fez mais uma boa ação….”
Realmente ela estava certa.

Então, antes de dormir peguei um livrinho que gosto de ler (Imitação de Cristo) e na página que abri dizia o seguinte:
“Não reclame tanto da vida… pense nos sofrimentos alheios…”
Preciso dizer mais alguma coisa? Quebrou ou não quebrou minhas pernas?
Mas apesar da mensagem ter sido forte para mim ao mesmo tempo foi consoladora, pois me fez refletir sobre o quanto precisamos ser gratos. Falou ainda dos sofrimentos de Cristo… foi muito bom pra mim. Aprendi que sempre devemos ser gratos.

Não quero dizer com isso que de agora em diante eu serei uma nova pessoa, mas com esse testemunho quero lhe dizer que Deus sempre fala conosco.
Naquele dia eu só deixei para ouví-lo à noite, mas tenho certeza que Ele passou o dia inteiro falando comigo. Nós que muitas vezes acabamos não dando ouvidos, pois como é que dizemos mesmo? “Não tive tempo…” é sempre assim… “não tenho tempo para rezar, não tenho tempo para ler a bíblia…”
Mas Deus sabe como nos pegar…

Deus abençoe!
Jorge

18 de Setembro de 2008

A voz que acalma

Arquivado sob: Maria, EU - Jorge — admin @ 16:19

Olá amigos, após algum tempo estou de volta. Quero partilhar com vocês uma grande alegria, e que ao mesmo tempo, acaba justificando minha ausência aqui no BLOG: meu filhinho Rafael nasceu.
Graças a Deus está tudo bem com ele e com minha esposa Jake.

Bom, vamos lá: escolhi o tema “A voz que acalma” pelo seguinte: agora que sou pai vejo mais de perto a importância de uma mãe.
Quando meu filho chora, nem sempre o colo do pai resolve. Nem sempre meus carinhos são suficientes… mas quando vai para o colo da mãe e escuta sua voz é incrível…. o bebê se acalma e a tranqüilidade reina mais uma vez.

Assim devemos ser nós: quando houver turbulências em nossa volta devemos correr para os braços da mãe, para o colo da mãe. Devemos nos apegar à essa voz que nos acalma e nos conforta: a voz de Maria.
Ela que soube amar nos momentos de dificuldade e provação quando seu filho Jesus ainda era pequeno, também sabe como cuidar de nós, pois às vezes somos como crianças indefesas que têm como única alternativa o carinho materno.

Temos ouvido muita coisa… temos experimentado fortes provações, decepções…. e apenas o carinho de uma mãe é capaz de amar acima de tudo isso.
Apeguemo-nos à Maria e deixemos com que o Magnificat desta mãe maravilhosa ecoe em nossos corações e em nossa alma.

Veja uma fotinho do Rafael, nosso filho querido.

Deus abençoe!
Jorge

15 de Julho de 2008

Homem das multidões

Arquivado sob: Coordenadores, EU - Jorge — admin @ 08:07

Na última sexta-feira Deus colocou no meu coração uma coisa: que eu não sou um homem das multidões.
Fiquei pensando sobre isso e agradeci a Deus por não ouvir isso em outra época. Se tivesse ouvido há um tempo atrás acredito que eu ficaria triste, pois sempre lutei muito para arrebanhar o povo. Hoje, um pouco mais maduro não me sinto triste por essa palavra do Senhor, até porque é uma verdade, e outra: eu não deixo de ser agraciado por não ser um homem das multidões.
Deus sabe muito bem o que faz e talvez se Ele colocasse em minhas mãos um povo numeroso eu poderia me perder, vangloriando a mim mesmo. E está aí uma coisa que sempre tive medo e pedi a Deus: para que eu nunca me perdesse no orgulho e auto-suficiência.
Sempre que eu lia aquela passagem onde o Senhor dizia a Paulo que um povo numeroso pertencia a ele, eu achava que aquela mensagem era para mim. E talvez seja ainda, mas no tempo do Senhor. Mas não me importo mais… não fico triste também porque Deus sabe todas as coisas e não sei se eu teria a paciência de Moisés, como ele teve com aquele povo cabeça dura. Não sei se eu teria a garra de Judas Macabeu, que sabia liderar um povo e sabia como “pôr fogo” em seus ânimos. Não sei se eu teria o “gogó” de João Batista para anunciar sem medo e viver a santidade em meio a uma vida “rústica”, pois sabemos que ele vivia no deserto. Muito menos eu seria como Jesus, que conseguia cativar a qualquer um com usa maneira de ser, com o seu jeito de falar, olhar.
Jesus não arrastava multidões simplesmente pela pregação ou por seus milagres. Com certeza existia algo diferente naquele homem, que, as pessoas ao olharem pra ele viam algo diferente, sentiam que suas vidas podiam ser mudadas porque alguém acredita neles.
Jesus era esse homem das multidões, que não se colocava em posição de destaque, mas que destacava o que existia de melhor nas pessoas.

Eu conheço três pessoas (pensando agora de imediato) que são homens de conduzir multidões. Tenho certeza que são.
Por um tempo até estiveram afastados do Senhor, mas esse chamado “um povo numeroso te pertence” soou mais alto não somente em seus ouvidos, mas ardia como chama em seus corações. E isso não significa peso na consciência, mas comprometimento com a causa. Espero que eles leiam essa mensagem algum dia.

Que Deus continue a usar os homens das multidões. Que sejam a exemplo do bom pastor, homens inflamados do Espírito e abertos aos carismas.

Elias foi um profeta poderoso, mas não lembro dele andando em meio a multidões, como Josué, Davi ou Pedro.
E isso conforta o meu coração.

Quanto a mim só quero ser aquilo que Deus quer que eu seja.

Deus abençoe!
Jorge

30 de Junho de 2008

Ouvindo a voz de Deus

Arquivado sob: Coordenadores, Fé - Perseverança, Namoro / Casamento, EU - Jorge — admin @ 13:10

Certas coisas nós deveríamos saber ouvir e descartá-las de nossas vidas, simplesmente porque não são importantes e não devem ficar em nós. Coisas que não irão nos agregar em nada. E o grande problema é que nos prendemos justamente à essas coisas.
São pessoas que não nos compreendem, que nos julgam, pessoas que não sabem exatamente da história e acabam por tomar decisões precipitadas. Assim, acabamos ouvindo coisas desnecessárias.
Mas o grande problema não é simplesmente ouvir, mas aquilo que guardamos em nosso coração quando ouvimos.
Certas coisas irão apenas nos machucar ou mexer em algo que estava quieto, que aliás, poderia ser evitado.

Uma parcela de culpa também é nossa, pois depositamos confiança demais nas pessoas, esperamos demais delas… a nossa escuta não está no Senhor e é por isso que nos decepcionamos ou ficamos irritados.
Quando ouvimos a voz de Deus algo acontece dentro de nós, pois a voz do Senhor é firme sim, mas há ternura. E essa ternura nos encurrala e nos leva a tomar uma decisão: É melhor ouvir a voz de Deus ou continuar confiando na minha própria intuição.

É verdade ou não é, que por um período você experimenta dessa escuta, mas que, por algum motivo ou outro você acaba se desviando e volta a confiar “no seu próprio taco”?
E é aí que tudo começa a dar errado novamente…

Não se ouve Deus no barulho. Não se encontra o Senhor nos lugares errados.
Melhor é ter um pouco mais de paciência e você o ouvirá. Assimile bem o que Ele te fala e tenha discernimento para tomar alguma ação.
Deus até se cala em alguns momentos, porém, em outros Ele fala… e muito… mas somos nós que não ouvimos, não paramos.

Se você quer que as coisas caminhem diferente na sua vida, na sua paróquia ou em seu grupo de oração é melhor silenciar um pouco mais, pois a Palavra já nos ensina: “…Fala Senhor, que o teu servo escuta…” (1Sm 3, 1-10)

Deus abençoe!
Jorge

29 de Maio de 2008

Um pouco mais de mim…

Arquivado sob: EU - Jorge — admin @ 08:39

Em 1999 quando nosso grupo foi fundado tínhamos nossos formadores à frente, conduzindo, pregando e formando o nosso grupo de oração.
Naquela época eu já buscava muito o Senhor, pois desde 1998 eu participava praticamente de todos os grupos de orações que conhecia, em todos os dias da semana.
Minha sede era tanta que eu queria mais e mais….

Bom, no final de 99 (acho que novembro mais ou menos) eu fiz minha primeira pregação.
E aconteceu assim: O Rodrigo, Sergio e eu - os dois primeiros eram do Jerusalém, ministério no qual nos formou, estávamos indo buscar umas caixas de som em uma Igreja para um evento que ia acontecer no próximo mês. Foi quando eles disseram: “HOJE, VOCÊ que vai pregar no grupo.”
Eu empalideci e disse: “O quê? Vcs estão loucos… não, não e não!! Eu não estou preparado, de jeito nenhum…”
E essa “discussão” se estendeu por um bom tempo, até que fui vencido.
E eu sempre digo que somos escravos de quem nos vence. Naquele dia fui vencido pela Misericórdia de Deus. E ela tem conduzido minha vida até hoje.

Lembro que minha pregação era sobre a passagem de Jesus andando sobre as águas e dizia para Pedro: “Vem…”
E eu dizia o mesmo para as pessoas, que, quando eu fui chamado para pregar também senti muito medo, mas o Senhor estava me chamando: “Vem Jorge, você não vai afundar… olhe para mim. Fixe os seus olhos em mim e venha.”
E foi o que eu disse para as pessoas na pregação; Que Jesus estava chamando a muitos ali, mas alguns estavam com medo de sair de suas barcas, pois tinham medo de afundar e de enfrentar tempestades. Mas ainda assim Jesus estava chamando: “Não tenham medo, sou eu! Venha…”

Até hoje tenho olhado para Jesus e sei que nos momentos em que desvio meu olhar são os momentos em que começo a afundar.

É o que tenho para te dizer hoje: não desvie os seus olhos de Jesus. Que o seu ministério olhe atentamente para Jesus. Que ouça a SUA voz e siga em frente!

Deus abençoe!
Jorge

OFICINA DA MÚSICA CATÓLICA | Formação de músicos católicos.