Aguardando o momento certo
Quando eu comecei a trabalhar eu tinha 16 anos de idade e meu emprego foi em um escritório de contabilidade, como office-boy, o que na época eu não gostava, pois meus amigos já trabalhavam internamente como auxiliares, assistentes e outras funções. O fato é que eu me sentia inferior à eles, achando que meu salário era o menor, que meu emprego era o pior, que o local onde eu trabalhava era o mais longe e que eles sabiam muito mais coisas do que eu na vida profissional.
Talvez um pouco de manha? Talvez… Um pouco de “chororô” como dizem…. e lógico que em graus maiores isso chegaria a um complexo de inferioridade. Mas não foi o meu caso…
Quase três anos depois mudei de empresa (na qual estou até hoje - quase 13 anos!), e desta vez para trabalhar como arquivista em um escritório de advocacia. E boas notícias dessa vez: eu trabalharia interno e meu salário era o dobro do que eu ganhava. Porém, a distância quase que triplicou, onde (até hoje) levo no mínimo 4 horas no trânsito. Mas até aí não considerei esse o maior problema. Acontece que como arquivista eu passava a maior parte do dia em pé dentro dos arquivos deslizantes, o que fazia minhas pernas doerem demais. Então eu pensava: “quando eu era office-boy pelo menos eu ficava andando, então não doíam tanto, com excessão das gigantescas filas de banco, que me faziam amaldiçoar minha função”. Infelizmente era assim que eu pensava. Apesar de temente à Deus, não tinha costume algum de ir à igreja e muito menos interesse por qualquer tipo de espiritualidade.
Trabalhando como arquivista eu tive que suportar 1 ano de dores nas pernas, em seguida peguei minhas férias. Quando retornei recebi o que eu considero até hoje como presente de Deus, um convite para trabalhar na área de informática (no qual me formei e continuo trabalhando até hoje).
Acontece que não temos a plena visão das coisas e penso que isso é natural. Temos a tendência de sempre estar reclamando por alguma coisa. Ao invés de agradecer pelo que se tem é mais fácil reclamar pelo que não se tem.
Claro que eu agradecia pelo que tinha, aliás agradeço até hoje, mas existe um lado humano, não sei bem ao certo dizer que lado é esse que nos faz reclamar do que conquistamos ou aprendemos.
Hoje entendo muita coisa, mas com certeza há muito mais coisas que não sei e que um dia serão claras para mim. Talvez seja como aquele versículo da bíblia que diz: “Agora vemos como que em espelho, obscuramente, mas então veremos face a face..” Um dia entenderemos o porquê das coisas e agradeceremos pelo que passamos, pois tudo é aprendizado, conhecimento. Por isso, temos que tomar cuidado com nossas palavras e comportamentos no tempo presente.
Hoje eu vejo o quão importante foi trabalhar como office-boy, quantas coisas eu aprendi, como fiquei mais esperto… e assim com todas as profissões e áreas da vida.
Na Igreja acontece algo parecido. Começamos como quem não quer nada e aceitamos qualquer coisa que nos passem, pois o “importante é servir a Deus”. Nosso coração está alegre, em festa e de fato somos puros para tantas coisas. Mas depois de algum tempo exigimos posições e achamos que por estar a mais tempo na igreja temos algum direito a mais que outros irmãos. É como se pedissemos um aumento de salário por ser velho de casa. Achamos que temos o direito de ocupar posições de liderança e coordenação, enquanto que os outros devem colocar a mão na massa.
Mas não é nada disso: temos que continuar trabalhando sempre da mesma forma e com o coração e em paz. Do contrário, não adiantará nada o nosso esforço.
Como músico da Igreja eu queria no início aprender logo, “ser bom logo”, mas não é assim que funcionam as coisas. No caso da música, exige-se muita dedicação e estudo, mas só colocando em prática mesmo o que aprendemos. E isso leva tempo, é preciso passar por muitas experiências e das mais diferentes formas e situações. No entanto, o aprendizado também vem através de quedas, perdas e derrotas. Por isso não podemos nos frustrar. Faz parte. Nos torna mais fortes para o desafio de amanhã.
Talvez hoje você não esteja entendendo muita coisa, quem sabe (do seu ponto de vista) até sofrendo injustiças, mas é como eu disse acima: hoje vemos que em espelho, mas depois tudo se tornará claro, nítido.
Não temos a plena visão das coisas ainda. Mas amanhã saberemos um pouquinho mais.
É o exercício da paciência e perseverança, onde o tempo se encarregará de nos ensinar tudo no devido momento. Da nossa parte cabe confiar.
Grande abraço,
Jorge