O canto de Glória (ou Hino de Louvor) é mais uma dessas partes da Missa que possuem fórmula específica e precisamos respeitá-la. Mas para respeitá-la é bom entendê-la, não é mesmo?
Quantas e quantas vezes não achei que bastava alguma música que contivesse em sua letra os dizeres “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo“… mas não é bem assim, pois o Estudo 79 da CNBB sobre a Música Litúrgica no Brasil diz claramente: “O Glória… não constitui uma aclamação trinitária (como muitos pensam - louvor ao Pai, Filho e Espírito Santo).
O correto é que nesse momento se louve ao Pai e ao cordeiro.
Como assim? Bom… vou tentar esclarecer melhor a respeito desse canto. Por isso, reuni informações de várias fontes diferentes, mas com certeza confiáveis, ok? Vamos lá…
Como todo rito litúrgico o Hino de Louvor (que já vem desde os primeiros séculos da Igreja) possui uma teologia, um sentido e um porque. Vejamos a explicação desse canto tão profundo em seu conteúdo no próprio Missal Romano, número 53:
“O Glória é um antiqüíssimo e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto deste hino por outro…“.
Vamos entender: a Igreja nos diz que há dois pontos que precisamos levar em conta: glorificar e suplicar ao Pai e ao Cordeiro (Jesus Cristo). E ainda: não podemos substituir esse texto por qualquer outro, assim, manteremos a comunhão com a Igreja.
Importante também é que em sua letra contenha:
“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados”.
Logicamente que não apenas isso e basta, mas esse hino tem sua origem naquele canto dos anjos que ressoou pela primeira vez nos ouvidos dos pastores de Belém, na noite no nascimento de Jesus (cf. Lc 2,4).
Na sua origem, o ‘Glória’ era entoado durante o ofício da manhã. Só bem mais tarde – por volta do século IV – é que aparece prescrito na liturgia eucarística do Natal podendo ser entoado apenas pelo bispo. Esse costume se prolongou por muito tempo. Porém, no final do século XI já há notícias do uso do ‘Glória’ em todas as festas e domingos, exceto na Quaresma. Então os presbíteros já podiam entoá-lo.
O ‘Glória’ pode ser dividido em três partes:
a) O canto dos anjos na noite do nascimento de Cristo: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados’;
b) Os louvores a Deus Pai: ‘Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso: nós vos louvamos, nós vos bendizemos, nós vos adoramos, nós vos glorificamos, nós vos damos graças pro vossa imensa glória’;
c) Os louvores seguidos de súplicas e aclamações a Cristo: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo Jesus Cristo’
O ‘Glória’ termina com um final majestoso, incluindo o Espírito Santo. É importante lembrar que esta inclusão não constitui, em primeira instância, um louvor explícito à terceira pessoa da Santíssima Trindade. O Espírito Santo aparece relacionado com o Filho, pois é neste que se concentram os louvores e as súplicas. Em outras palavras: o Cristo se mantém no centro de todo o hino. Ele é o Kyrios, o Senhor que desde todos os tempos habita no seio da Trindade.
O que temos visto de errado nas celebrações? Ou seja, o que temos cantado?
Vejamos alguns exemplos de músicas que não poderiam ser cantadas como Hino de Louvor:
- Glória, Glória ao Pai Criador, ao Filho redentor e ao Espírito: glória
- Glória a Deus, Glória a Deus, Glória ao Pai…
- Canto louvores ao Pai, canto louvores ao Pai a Ele louvores e glória
- Glória a Deus Pai, Glória a Deus Filho, Espírito de amor (CD Cantai Louvores a Deus - Laercio Oliveira).
De preferência que hino de louvor seja sempre cantado e não rezado.
Ainda: como se trata de um hino de louvor é importante a participação de toda a assembléia e não apenas do ministério de música. Sendo assim, é de grande utilidade que a assembléia aprenda a cantar o hino para que no momento certo cante em conjunto com o grupo de canto.
Também é pode ser executado alternadamente em dois grupos.( Exemplo: coral - povo )
O Glória é um hino de alegria é útil bater palmas, erguer os braços, repicar os sinos expressando esta alegria. É cantado ou recitado nas missas solenes seja nos domingos ou sábados ou nas festas de Santos.
Canta-se ou recita-se nos domingos fora do Advento e da Quaresma, bem como nas solenidades e festas, e em particulares celebrações mais solenes. É excluído na Quaresma e no Advento pelo fato de um hino festivo não sintonizar com um tempo penitencial.
Uma das características do hino é não ter refrão, no entanto, algumas de nossas assembléias ainda estão desacostumadas, por isso os refrãos ajudarão em sua participação que é primordial.
Baseada no texto oficial do Missal Romano a CNBB também aprovou um texto trabalhado e organizado poeticamente que ajudará na assimilação da assembléia.
Geralmente o Glória não se diz em dia de semana porque se cantado ou recitado em dias comuns perderia o seu sentido da Festa e Solenidade que acontece nos Domingos e festas.
Uma boa referência para leitura: o livro “Cantando a Missa e o Ofício Divino” (Paulus 2004), do músico e liturgista Frei Joaquim Fonseca.
Alguns exemplos de músicas que podem ser cantadas e que seguem de acordo com a liturgia:
- Glória a Deus nas alturas (Comunidade Shalom - CD Na dança da Vida)
- Glória a Deus nas alturas (Comunidade Shalom - CD Ressuscitou)
- Glória a Deus nas alturas (Comunidade Recado - CD Cânticos para missa -faixa 6)
- Glória a Deus nas alturas (Comunidade Recado - CD Cânticos para missa -faixa 7)
- Glória a Deus nas alturas (Eliana Ribeiro - CD Espera no Senhor)
- Glória a Deus nas alturas (Toca de Assis - CD Jesus Sacramentado Certeza do Céu)
- Glória a Deus nas alturas (Padre Ney Brasil)
Recomendo ainda os seguintes sites: Coral São João Batista e Cantemos, pelo grande acervo de músicas que podem ser utilizadas em Missas.
Espero que esse artigo tenha sido de tão grande valor à você quanto foi para mim. Pois com essa pesquisa pude desfrutar de momentos de grande aprendizado e apreciar ainda mais a beleza de nossa Igreja e de toda a sua liturgia.
Deus abençoe!
Jorge