A arte de encantar
Minha esposa costumava brincar, dizendo que: “O Jorge canta e eu encanto…” e acredito que é isso mesmo: todo músico precisa ter em seu ministério a arte de encantar, ou seja, não estamos ali apenas como garçons, servindo nossa música e depois vamos embora. Mas através de nossas canções deveríamos ser capazes de encantar também, porque as pessoas ao olharem para nossa postura, espiritualidade deveriam olhar além e pensar: “realmente ele faz isso com amor, realmente isso vem de Deus…” e com esse pensamento voltar-se mais para Deus.
Aliás, onde estão os verdadeiros músicos? Aqueles que arrebanham multidões para o Senhor? Será que Deus já não está com saudades daqueles músicos? Que são justamente aqueles adoradores do Evangelho, que adoram o Senhor em Espírito e em Verdade.
É claro que é super-agradável ouvir um músico tecnicamente bom, afinal quem não gosta de uma boa música? Nossos ouvidos agradecem… ao mesmo tempo é insuportável ouvir alguém absolutamente desafinado e que você vê que não leva jeito com a coisa, mas que ainda por cima não faz nada para melhorar. Pois precisamos respeitar, entender e ter paciência com os que estão aprendendo, desde que vejamos neles a vontade de aprender e crescer. (Agora estou pensando em todos que ainda têm paciência comigo… Obrigado meus queridos…)
Mas o músico que, além de ser bom tecnicamente é capaz de encantar com a sua arte chega mais longe. Ele revela a beleza de Deus e devolve inclusive uma alegria que já não havia mais. Não é absurdo nenhum dizer que muitos já não acreditam mais… desistiram… cansaram… olham e percebem as mesmas coisas, as mesmas mancadas… quantas lutas e barreiras, quantas resistências. E obviamente se cansam de dar murros em pontas de facas. Infelizmente com isso só vemos mais baixas aparecendo, ou seja, mais ex-servos de Deus…
Mas o músico que na beleza da expressão reflete o Deus verdadeiro, o Deus vivo, muda tudo.
Encantar não trata-se apenas de executar nossa musicalidade com perfeição, mas como seres humanos mostramos o amor verdadeiro que há em nós. Não há vangloriosidade e nem exibicionismo, pois somos nós mesmos… a simplicidade mora em nós e estamos sempre perto das pessoas. Não nos achamos melhores que ninguém e sempre estendemos a mão, princialmente quando mais precisam de nós.
O músico que não dá as costas para os amigos, mesmo nos momentos mais difíceis… esse é o músico do coração de Deus. É o músico que tem em sua essência e em sua alma a arte de encantar.
O músico que encanta é aquele que é comunidade e não apenas um membro isolado. Não procura caminhar sozinho, mas procura dar sua contribuição no dia-a-dia, é dizimista, é conhecido pelo nome e não apenas como o “jovem que toca na missa”.
Ele é uma pessoa do povão, que não julga ninguém, que faz amizades e não se envolve com fofocas. Não está preocupado com o crédito que estão lhe dando, mas é humilde e tranquilo.
A arte de encantar consiste em trazer dignidade à vida daqueles que já não acreditam, que estão tristes e abatidos.
Ser do coração de Deus é buscar a pureza em todos os momentos, não apenas quando estamos com um microfone na mão ou na frente da assembléia.
Com isso as pessoas se interessarão mais por nós do que por aquilo que fazemos. E através de nós levaremos Deus até elas.
Nós por nós mesmos não somos nada, porém jamais podemos esquecer que somos imagem e semelhança de Deus.
Que a beleza da expressão habite a sua alma e que as pessoas ao olharem para você e seu ministério vejam que ali sim existe um ministro de música. Alguém que ama a Deus, que é apaixonado por Deus. E tudo o que faz é para honra e glória do Senhor.
Deus o abençoe!
Jorge