26 de Maio de 2009

De volta ao primeiro amor

Arquivado sob: Grupo de Oração, Fé - Perseverança, Lembranças — admin @ 09:52

O ser humano é impulsionado pelo amor. E o que tenho visto ultimamente é o desejo ardente de retornar ao primeiro amor.
E que amor é esse? É aquele da primeira vez, do primeiro encontro com o Senhor. Da primeira experiência com o Espírito Santo.
Algo que foi marcante… e para cada caso uma reação diferente: lágrimas, arrepios, frios na barriga, medo, alegria, enfim… emoção…
Alguns lembram desse sentimento com saudade e ao mesmo tempo com tristeza, pois acham que jamais sentirão esse amor de novo.
Mas preciso dizer o seguinte: é possível SIM experimentar desse amor, dessa graça. E tudo depende da nossa busca e da nossa abertura, por isso basta nos abrirmos mais, por mais difícil que seja ou pareça.

Acontece que depois de um tempo de caminhada ficamos meio turrões, ou seja, achamos que sabemos muito, que já presenciamos muita coisa. Mas o fato é que não sabemos nada ainda e o amor não nos foi revelado em sua plenitude ainda, pois o amor é eterno. Deus é eterno e mistério…. por isso pode derramar em profundidade seu Espírito Santo.

O fato de não sentirmos mais as mesmas coisas de antes não significa que não é possível. Não significa que nunca mais sentiremos. A questão é que é preciso buscar com inteligência, com sabedoria. Não fique limitado a fazer as mesmas coisas. Busque novas experiências, participe de novos retiros, faça nova atividades.
Não deixe que a mesmice visite seu coração, pois quando estacionamos é difícil retomar a coragem, pois como diz a música “o mundo nos oferece caminhos demais…” Jesus disse: “Pedi e recebereis; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.”

Ah, só mais uma coisa: não fique chateado com você mesmo. Não se cobre tanto… não se despreze e nem ache que você já não serve mais, pois você serve SIM! E muito! Deus te quer e te ama muito. Não sei se é o que você precisa ouvir hoje, mas senti no coração essa necessidade de dizer: você é importante e Deus te ama demais, por isso não desista. Tenha mais um pouco de paciência. Por mais que você já tenha aguentado e esperado… aguenta mais um pouco… e não reclame tanto… tudo tem o seu ponto e para tudo há uma resposta.
A semente após lançada à terra não cresce imediatamente. Tudo acontece ao seu devido tempo, ok? E tenho certeza que o primeiro amor voltará ao seu coração e a sua alma.

E é isso o que eu desejo a vocês: um novo encontro, um reavivamento do Espírito e um ardor missionário como nunca visto antes.

Deus abençoe!
Jorge

22 de Maio de 2009

A arte de encantar

Arquivado sob: Violões - Guitarra, Tecladistas, Bateristas, Cantores — admin @ 09:13

Minha esposa costumava brincar, dizendo que: “O Jorge canta e eu encanto…” e acredito que é isso mesmo: todo músico precisa ter em seu ministério a arte de encantar, ou seja, não estamos ali apenas como garçons, servindo nossa música e depois vamos embora. Mas através de nossas canções deveríamos ser capazes de encantar também, porque as pessoas ao olharem para nossa postura, espiritualidade deveriam olhar além e pensar: “realmente ele faz isso com amor, realmente isso vem de Deus…” e com esse pensamento voltar-se mais para Deus.

Aliás, onde estão os verdadeiros músicos? Aqueles que arrebanham multidões para o Senhor? Será que Deus já não está com saudades daqueles músicos? Que são justamente aqueles adoradores do Evangelho, que adoram o Senhor em Espírito e em Verdade.

É claro que é super-agradável ouvir um músico tecnicamente bom, afinal quem não gosta de uma boa música? Nossos ouvidos agradecem… ao mesmo tempo é insuportável ouvir alguém absolutamente desafinado e que você vê que não leva jeito com a coisa, mas que ainda por cima não faz nada para melhorar. Pois precisamos respeitar, entender e ter paciência com os que estão aprendendo, desde que vejamos neles a vontade de aprender e crescer. (Agora estou pensando em todos que ainda têm paciência comigo… Obrigado meus queridos…)

Mas o músico que, além de ser bom tecnicamente é capaz de encantar com a sua arte chega mais longe. Ele revela a beleza de Deus e devolve inclusive uma alegria que já não havia mais. Não é absurdo nenhum dizer que muitos já não acreditam mais… desistiram… cansaram… olham e percebem as mesmas coisas, as mesmas mancadas… quantas lutas e barreiras, quantas resistências. E obviamente se cansam de dar murros em pontas de facas. Infelizmente com isso só vemos mais baixas aparecendo, ou seja, mais ex-servos de Deus…

Mas o músico que na beleza da expressão reflete o Deus verdadeiro, o Deus vivo, muda tudo.
Encantar não trata-se apenas de executar nossa musicalidade com perfeição, mas como seres humanos mostramos o amor verdadeiro que há em nós. Não há vangloriosidade e nem exibicionismo, pois somos nós mesmos… a simplicidade mora em nós e estamos sempre perto das pessoas. Não nos achamos melhores que ninguém e sempre estendemos a mão, princialmente quando mais precisam de nós.
O músico que não dá as costas para os amigos, mesmo nos momentos mais difíceis… esse é o músico do coração de Deus. É o músico que tem em sua essência e em sua alma a arte de encantar.

O músico que encanta é aquele que é comunidade e não apenas um membro isolado. Não procura caminhar sozinho, mas procura dar sua contribuição no dia-a-dia, é dizimista, é conhecido pelo nome e não apenas como o “jovem que toca na missa”.
Ele é uma pessoa do povão, que não julga ninguém, que faz amizades e não se envolve com fofocas. Não está preocupado com o crédito que estão lhe dando, mas é humilde e tranquilo.

A arte de encantar consiste em trazer dignidade à vida daqueles que já não acreditam, que estão tristes e abatidos.
Ser do coração de Deus é buscar a pureza em todos os momentos, não apenas quando estamos com um microfone na mão ou na frente da assembléia.
Com isso as pessoas se interessarão mais por nós do que por aquilo que fazemos. E através de nós levaremos Deus até elas.
Nós por nós mesmos não somos nada, porém jamais podemos esquecer que somos imagem e semelhança de Deus.

Que a beleza da expressão habite a sua alma e que as pessoas ao olharem para você e seu ministério vejam que ali sim existe um ministro de música. Alguém que ama a Deus, que é apaixonado por Deus. E tudo o que faz é para honra e glória do Senhor.

Deus o abençoe!
Jorge

18 de Maio de 2009

Saber dizer não

Arquivado sob: Grupo de Oração, Coordenadores, Fé - Perseverança, Jovens — admin @ 09:49

Uma tarefa difícil em nossos dias é saber dizer não. Pois dependendo do contexto podemos parecer grossos ou insensíveis.
E acontece que muitas vezes acamos fazendo algo contra a nossa própria vontade apenas para não ficar chato e não contrariar o desejo daquele que nos pede.
Então eu pergunto: e nosso próprio desejo e vontade não contam?
Aí vem o pessoal com aquela conversa: “Ah, mas o mais importante é fazer a vontade de Deus e não a nossa…” E eu concordo plenamente com isso, mas o Senhor também nos deu vontade própria, liberdade e inteligência. Por isso, não precisamos ser bobos… não podemos deixar que abusem de nossa boa vontade. O fato de ser de Deus não significa que precisamos ser tolos…

Saber dizer não com inteligência é sinal de sabedoria. Peçamos então o discernimento para nunca magoarmos aqueles que ouvem o nosso NÃO. Para que entendam que por vezes é necessário aceitar essa resposta.

Há músicos que já não têm tempo para si mesmos. Querem descansar, curtir a família, participar simplesmente de uma missa, mas cada vez mais são chamados, cada vez mais são escalados, não conseguindo dizer o que realmente sentem, que de repente, ainda que por um curto período gostariam de ficar no anonimato.
Ou ainda, há a situação inversa, onde o próprio músico deveria saber a sua hora e dizer não algumas vezes. Também precisamos parar… parar para analisar os fatos, acalmar nossas sensibilidades e ser povo ao menos uma vez. Não achar que nossa posição é de destaque, pois de fato não é. O nosso serviço é de destaque porque é para Deus e para os irmãos. Mas a nossa posição não é. Estar em uma posição e ser de uma posição são coisas diferentes.

Dizer NÃO não quer dizer que somos do contra, que estamos nadando contra a maré. Mas é mostrar que temos opinião própria também. E nossa opinião é importante SIM.
Não precisamos ser ignorantes para demonstrar isso, por isso peçamos doçura e serenidade ao Senhor.

Dizer não para o pecado, para a injustiça e para todo o mal… tudo isso nos faz mais santos.
Obviamente nossa postura diz muito mais que palavras, por isso quando não puder dizer às claras, apenas demonstre a sua real posição.

Músico guerreiro, que derrama sua lágrima e seu suor dia-a-dia… sei que você passa por isso… precisa aceitar muitas coisas, mesmo quando não concorda… mas é a escola da vida, que nos traz cada vez mais experiências, mas também que sempre nos dá uma nova visão e um novo entendimento.

E que Deus abençoe a todos nós.
Jorge

13 de Maio de 2009

Quando a música parar…

Há uma canção do padre Zezinho que diz assim: “quando Jesus passar eu quero estar no meu lugar…”.
E assim eu também quero dizer: “Quando a música parar eu quero estar no meu lugar…”
O que quero dizer com isso?
Que jamais poderemos esquecer de nossas raízes e temos que reconhecer onde é o nosso lugar. Quando acabar um show, um evento, aquele momento de “vc tocou demais hoje”, precisamos sempre voltar para o nosso ninho de amor, nossa casa, nosso grupo, nossa comunidade.
Assim Deus sempre colocará em nós a serenidade. Precisamos ser simples. Nosso Pai é simples.

Nosso lugar não é na frente de muitas pessoas batendo palmas para nós, pois não somos dignos disso.
Sim, eu entendo que somos merecedores de congratulações pela nossa entrega e dedicação, por todo o nosso conhecimento técnico, por tudo aquilo que aprendemos e estudamos. E com isso buscamos o melhor para Deus e para os irmãos.
Mas não podemos achar que todas as aclamações são justas e que sempre haveremos de merecê-las. Não… temos que fazer parte do Evangelho que nos ensina a busca constante do último lugar. “Buscai os últimos lugares… ” (Lc 14,9)

Quando a música parar é hora de refletir em minhas ações, é hora de perceber se passei dos limites, se deixei de ser eu mesmo enquanto cantava, tocava…
Quando a música parar é hora de voltar para a família, para o meu berço, minhas raízes queridas.
A família sabe de fato quem verdadeiramente eu sou, sabe de minhas misérias e limitações.

Em outras palavras é o momento da verdade, pois precisamos nos recolher e silenciar o coração e agradecer a Deus pelo que aconteceu. Através de nossa música muitos se alegrarão, choraram e foram tocados. A nossa voz chegou em lugares que jamais saberemos e a cura também aconteceu. Por tudo isso precisamos agradecer a Deus, pelo dom que Ele nos concedeu e pela oportunidade única que foi essa. Seja um grande show ou um terço rezando em família, não importa…

O fato é que quando a música para nós voltamos a ser nós mesmos. Não que mudamos de personalidade enquanto ministramos, mas ali somos um com o Espírito Santo que faz tudo através de nós, pois sozinhos nada podemos…

Em seguida é tempo de recomeçar, pois a missão não acabou… novos encontros surgirão, novas oportunidades, novas pessoas em nossas vidas, novos desafios… Deus nos confiará muitas missões ainda, por isso se não nos adestrarmos agora lá na frente não saberemos como agir.
Pense que sempre estamos passando por uma experiência que lá na frente será muito bem usada.

Que tenhamos sempre em nossa alma a mesma convicção do salmista, que disse:
“Não a nós Senhor, não a nós… mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade…” (Sl 115,1)
E assim reconhecemos que toda glória é para o Senhor e não para nós.

Deus abençoe!
Jorge

11 de Maio de 2009

Músicos renovados

Todo aquele que mergulha em águas profundas e experimenta da verdadeira riqueza do Espírito Santo não deseja mais voltar atrás…. em outras palavras há aquela frase do padre Roberto da Toca de Assis, que diz “um verdadeiro adorador não volta atrás”
Quando sentimos aquela vontadezinha (triste) de largar, abandonar tudo, de tristeza ou desânimo, não desista!!! Persevere…. a verdade é que precisamos cada vez mais mergulhar em águas mais profundas. Quanto mais nos aproximamos do Senhor mais precisamos de intimidade. Não adianta ir até certo ponto e achar que assim já está bom.
Nossos ministérios não podem se sentir satisfeitos em apenas chegar até certo ponto e parar, mas devemos cada vez mais avançar. Cada vez reunir um rebanho maior, cada vez mais buscar uma nova unção. O Espírito Santo é um só, mas a experiência com Ele é única e sempre nova, por isso não devemos nos acomodar.

Atualmente vemos pessoas desistindo de participar dos encontros, grupos de orações… e sabe o por quê? Porque as pessoas querem algo novo, buscam por experiências cada vez mais intensas. (E por isso muitas vezes acabam se perdendo com outras coisas).
Mas o fato é que uma vez em contato com esse “algo novo”, com certeza elas voltarão. Elas virão novamente em busca dessa água viva, pois elas pensarão assim: “ali sim, ali eu senti a presença forte do Espírito Santo”.

Não apenas cantar da boca para fora, não apenas mais um grupo de oração. Não apenas mais uma missa.
Mas a experiência única e profunda a cada encontro. Como se fosse o último dia de nossas vidas… clame o Espírito Santo com um canto novo, com a sua vida, com a sua voz…. beba e experimenta da graça novamente. Se abra a essa luz como em tempos atrás… lembre-se do quanto vc se alegrava com isso, do quanto isso te abastecia e renovava o ardor em sua alma.

Muitos querem também essa experiência. E posso dizer que isso também depende de nós.
A forma em que levamos a mensagem faz toda a diferença.

Não canse não meu irmão, não desista, não pule fora. As vezes é difícil mesmo por isso persevere. Lute!! Vc consegue! Há muito vento soprando contra, muitas vozes em nossas cabeças, muita gente dizendo para irmos ao contrário, que não adianta mais…. mas siga a voz do coração e acredite que o sopro do Espírito é muito mais forte, pois é aquele que dá vida. No livro de gênesis logo no capítulo 1 vemos que o Espírito pairava sobre as águas… e aparece justamente no capítulo 1 da bíblia, para que nos encorage e nos dê força.
Desejo que esse mesmo Espírito de força venha hoje sobre sua vida e seu ministério.

Deus abençoe!
Jorge

7 de Maio de 2009

Postura do músico

Nosso comportamento e postura sempre será alvo de comentários, mas principalmente quando chamamos a atenção, seja de maneira positiva ou negativa.
Músicos que tocam nas missas por exemplo: geralmente estão em um local onde toda a assembléia pode vê-los. Por isso, devemos nos policiar o tempo inteiro e tomar cuidado para que nossa postura não chame atenção. Músicos que ficam brincando, fazendo solinhos com seus instrumentos no meio de uma homilia por exemplo… certamente atrairão olhares…. músicos que deixaram para escolher o restante das músicas no meio da missa com certeza também chamarão a atenção.
Neste segundo exemplo o problema foi a desorganização, mas de qualquer forma também entra nesse contexto.

De nada adianta termos instrumentos e equipamentos de última geração, termos um ministério bem ensaiado e ótima qualidade técnica se nossa postura não caminha de acordo com aquilo que acreditamos.
O músico cristão tem uma missão diferenciada do músico que não toca na igreja. Sabe por quê? Porque até mesmo em nosso silêncio somos capazes de levar almas até o céu. Na medida em que demonstramos o nosso amor a Deus através de nossas ações muitos irmãos são tocados. A humildade e simplicidade de nosso viver pode trazer esperança à aqueles que já não acreditavam mais. O músico da igreja não é melhor que os outros, mas nossa missão vai muito mais além do que propriamente tocar.

No meio de um grupo de oração por exemplo: na hora da pregação o ideal é que o ministério de música participe, ouvindo atentamente o que o pregador diz. Até porque pode se fazer necessária nossa participação. De repente o pregador pede uma música, um fundo musical… mas não só por isso… nós também precisamos de reabastecimento, de um renovar de nossa espiritualidade. E muitas vezes quando tocamos nem sempre sentimos o que a assembléia sente, pois estamos ali trabalhando e nos doando. Algumas vezes mais preocupados em servir do que em sentir… E são justamente nessas horas em que temos a grande chance de beber da graça. No momento “do banco”, do silêncio, da escuta e interiorização… é a nossa oportunidade de ouvir o Senhor e por isso não podemos perder tempo.

Comportamento e postura no entanto, não significa apenas ficar sentadinho em silêncio, mas é muito mais que isso. É demonstrar o cristianismo que acreditamos e amamos em toda a nossa vida. Sendo pessoas alegres e bem-humoradas. (Nada pior do que ficar ao lado de alguém mal-humorado, não é verdade? Principalmente quando o irmão é da igreja. Aí ficamos até em dúvida do porquê desse irmão não se abrir à graça). Demonstrar o nosso amor a Deus em todas as nossas ações, mostrando compaixão quando necessário. Sendo gentis e educados, sabendo dizer “obrigado” ou “por favor”.

São coisas que trazemos do berço, da família e jamais poderemos perder. Aparentemente são coisas tão básicas que alguém pode chegar e me dizer: “Ah, mas isso todo mundo sabe e é o mínimo que devemos ser…”
Sim, mas o inimigo quer nos confundir e a vaidade nos visita a cada instante. O orgulho pode encher nossa cabeça de modo a deixarmos de lado todas essas coisas.

Ser da igreja não é ser carrancudo ou triste, muito pelo contrário… tem gente que acha que porque está na igreja não deve mais brincar… que deve mudar o seu jeito e ser uma pessoa séria… Não é nada disso… Eu devo mostrar com meu comportamento que tudo isso me faz bem, me faz mais feliz. Sirvo a Deus com liberdade, mostrando que sou inteligente e sei o que quero para minha vida.

A exemplo de Maria que disse “Eis aqui a humilde serva do Senhor…” eu desejo que em vossos corações esteja sempre essa certeza:
Quanto mais humilde e simples maior testemunho de vida eu tenho para dar.

Deus abençoe!
Jorge

OFICINA DA MÚSICA CATÓLICA | Formação de músicos católicos.