Músicos de Rua
Uma das mais belas experiências que tive como músico de Deus foi sair em missão com o pessoal da nossa paróquia, onde levávamos comida para os irmãos moradores de rua.
Na minha primeira vez eu nem tinha ido para tocar, pois eu só queria participar, conhecer o trabalho, ajudar na distribuição dos alimentos e lógico, levar a Palavra e conhecer os irmãos. Mas todos os músicos haviam faltado e me deram um violão nas mãos. (Era costume tocar para os moradores de rua).
Apesar de ter ficado feliz, eu senti uma responsabilidade enorme nas mãos. Nunca um violão pesou tanto, pois fiquei pensando no que poderia acontecer. Por exemplo algum irmão não gostar, enfim, foi algo novo….
Ali não havia caixa de som, microfones, platéia…. pessoas que me “obedeceriam”, onde eu poderia conduzir dizendo “levante seus braços agora e louve ao Senhor”…. Não… nada disso… ali era a realidade da vida mesmo….
Dentro do carro os irmãos me disseram: “Já se prepara para tocar Busque o Alto da Celina Borges, pois o irmão que vamos ver agora adora essa música…”
Quando chegamos eles disseram: “ele está ali….” Mas a única coisa que eu via era alguns sacos de lixo e papelão molhado…. mas eles retiraram essas coisas de cima e o irmão estava lá deitado.
Aí ele acordando disse: “pensei que vocês não viessem hoje…. ”
Realmente foi marcante e nunca vou esquecer dessa experiência. E depois toquei a música pra ele…
Às vezes precisamos sair da nossa rotina e conhecer novas realidades.
Essa, de participar com o pessoal da Missão me fez descer um degrau, o degrau da busca de querer ser reconhecido.
Mas me fez subir um degrau: o da humildade, pois ganhei muito mais com eles. Porque eles não puderam me dar nada em troca, no sentido de reconhecimento ou popularidade. Mas me deram muito mais: me mostraram que a vida é feita de contrastes, onde aquele que parece não ter nada é o que mais me acrescenta em nossa vida.
Eu pude sentir pelo um pouquinho do que sentiu São Francisco, quando olhou para o irmão de rua e viu Jesus em seu semblante.
Que saibamos sair em missão sem buscar nada em troca. Mas levemos apenas o amor e assim, deixar um pouco de nós mesmos na vida das pessoas. Pois, por onde quer que andemos sempre iremos trazer um pouco do outro também.
E isso é o que nos faz crescer.
Deus abençoe!
Jorge