Comportamento musical
Eu já fui bem mais crítico do que sou hoje. Mas isso não significa que eu abri mão das coisas ou esteja fazendo pouco caso… tampouco estou sendo indiferente. Mas com o tempo nós vamos amadurecendo em algumas coisas.
Vejam só: Eu tenho um amigo que é guitarrista e é um dos melhores que conheço, apesar dele nunca ter estudado teoria musical. Quando ele começou a tocar em comunidade mesmo era comigo que ele tocava, em nossa comunidade. Mas ele tinha um probleminha: se distraía facilmente na missa e acaba não prestando atenção na homilia do padre, pois quando eu percebia ele estava sempre brincando com o violão e tirando algum solinho.
Aí eu cutucava ele e dizia “depois vc toca, vamos prestar atenção no padre…” E assim fomos caminhando… confesso que muitas e muitas vezes eu me sentia um “mala”, de ficar chamando a atenção dele, mas no fundo eu queria o melhor pra ele. Mostrar que existe um tempo para cada coisa e queria que ele percebesse o quanto era importante participar mesmo da missa. Não estar apenas de corpo presente.
Bom, anos depois participei de um retiro para músicos e vi esse irmão testemunhando como foi seu início na Igreja, quando para minha surpresa ele relatou esse caso. E o que me impressionou foi que ele agradeceu por eu ter sido tão “chato” com ele…. rsss… talvez ele não gostasse das minhas chamadas de atenção, mas que anos depois ele entendeu o porque.
Comigo Deus também realizou essa obra, pois mostrou-me que aquilo que parecia ser uma “perseguição” da minha parte na realidade não era. Era para o bem dele. Nunca brigamos por isso… era apenas uns toques que eu dava: “…agora não irmão… vamos prestar atenção no padre… depois a gente toca…”
Um músico precisa ter um comportamento exemplar, mas não porque somos os melhores, longe disso. Mas porque estamos em uma posição onde os outros estão nos olhando o tempo inteiro. Muitos nos julgarão com os olhos, por isso se não dermos testemunho de nada adianta o nosso tocar.
As pessoas devem ver em nós músicos que não estamos ali apenas para tocar, mas que há Alguém que nos amou primeiro e nos chamou a ser músicos Dele. Tocamos para Ele, com Ele e Nele. A razão do nosso ministério é Ele, Jesus.
É comum ver músicos “sumirem” na hora da pregação, seja em um grupo de oração ou missa.
Desculpe-me, mas não é desses músicos que precisamos.
Precisamos de músicos que queiram também saborear a Palavra e beber da graça que vem do alto.
Eu acredito que preciso muito ainda aprender a conversar com as pessoas. Porque seres humanos têm seus sentimentos à flor da pele e não é todos os dias que irão aceitar nossos comentários e nossas cobranças.
Jesus não obrigava ninguém a nada, mas convencia a todos com o seu jeito de ser.
Que aprendamos a ser assim: não apenas jogar a semente, mas saber regá-la diariamente.
Deus abençoe!
Jorge