Homem das multidões
Na última sexta-feira Deus colocou no meu coração uma coisa: que eu não sou um homem das multidões.
Fiquei pensando sobre isso e agradeci a Deus por não ouvir isso em outra época. Se tivesse ouvido há um tempo atrás acredito que eu ficaria triste, pois sempre lutei muito para arrebanhar o povo. Hoje, um pouco mais maduro não me sinto triste por essa palavra do Senhor, até porque é uma verdade, e outra: eu não deixo de ser agraciado por não ser um homem das multidões.
Deus sabe muito bem o que faz e talvez se Ele colocasse em minhas mãos um povo numeroso eu poderia me perder, vangloriando a mim mesmo. E está aí uma coisa que sempre tive medo e pedi a Deus: para que eu nunca me perdesse no orgulho e auto-suficiência.
Sempre que eu lia aquela passagem onde o Senhor dizia a Paulo que um povo numeroso pertencia a ele, eu achava que aquela mensagem era para mim. E talvez seja ainda, mas no tempo do Senhor. Mas não me importo mais… não fico triste também porque Deus sabe todas as coisas e não sei se eu teria a paciência de Moisés, como ele teve com aquele povo cabeça dura. Não sei se eu teria a garra de Judas Macabeu, que sabia liderar um povo e sabia como “pôr fogo” em seus ânimos. Não sei se eu teria o “gogó” de João Batista para anunciar sem medo e viver a santidade em meio a uma vida “rústica”, pois sabemos que ele vivia no deserto. Muito menos eu seria como Jesus, que conseguia cativar a qualquer um com usa maneira de ser, com o seu jeito de falar, olhar.
Jesus não arrastava multidões simplesmente pela pregação ou por seus milagres. Com certeza existia algo diferente naquele homem, que, as pessoas ao olharem pra ele viam algo diferente, sentiam que suas vidas podiam ser mudadas porque alguém acredita neles.
Jesus era esse homem das multidões, que não se colocava em posição de destaque, mas que destacava o que existia de melhor nas pessoas.
Eu conheço três pessoas (pensando agora de imediato) que são homens de conduzir multidões. Tenho certeza que são.
Por um tempo até estiveram afastados do Senhor, mas esse chamado “um povo numeroso te pertence” soou mais alto não somente em seus ouvidos, mas ardia como chama em seus corações. E isso não significa peso na consciência, mas comprometimento com a causa. Espero que eles leiam essa mensagem algum dia.
Que Deus continue a usar os homens das multidões. Que sejam a exemplo do bom pastor, homens inflamados do Espírito e abertos aos carismas.
Elias foi um profeta poderoso, mas não lembro dele andando em meio a multidões, como Josué, Davi ou Pedro.
E isso conforta o meu coração.
Quanto a mim só quero ser aquilo que Deus quer que eu seja.
Deus abençoe!
Jorge