16 de Maio de 2008

Músicos de Ferro

Imagine a seguinte cena: dois exércitos numerosos, um de frente para o outro. Nós estamos de um lado e do outro o exército do mal, do inimigo. E começam a caminhar um direção ao outro. E durante essa caminhada eles já começam a lançar seus dardos e flechas inflamadas pelo mal e por toda espécie de pecado.
Alguns dos nossos são atingidos e caem, mas não podemos parar. Continuamos a caminhada. Vemos que alguns se levantam e recomeçam a andar, outros porém, ficam ao chão.

E detalhe: nós músicos é que vamos na frente desse exército. Recomendo a leitura do livro do Monsenhor Jonas Abib “Músicos em ordem de batalha”. Lá ele explica que os músicos é que iam na frente nas guerras.
Bom, voltando aqui para nossa história: se vamos na frente significa que temos mais chances de ser atingidos primeiro, certo? No entanto, é aí o lugar que o Senhor nos colocou, na linha de frente desse exército, expostos a todo tipo de ataque.
Todos nós sabemos que a sensibilidade de um músico é muito aguçada e é aí que mora o perigo, porque vários pensamentos podem passar por nossas cabeças. Eis alguns:
- as pessoas que caem ao meu lado são fracas, se entregam por qualquer coisa;
- é falta de oração, se fossem como eu… etc, etc…

Mas nós não somos de ferro. Estamos sujeitos às quedas também. Não queira mostrar às pessoas que você está revestido de um escudo inquebrável. E pode acontecer também de baixarmos a guarda e é nesse momento que o inimigo nos acerta. E vou te falar algo sério: a pontaria do inimigo é certeira. Ele não erra. Se baixarmos a guarda ele não vai simplesmente nos acertar, pois isso seria fácil demais. Ele vai acertar no nosso ponto fraco.
Vc sabe muito bem qual é o seu ponto fraco, não sabe? Então, é aí que o dardo do inimigo vai pegar…

Alguns dos nossos foram acertados, mas continuam caminhando com o dardo e a flecha no peito. Carregam sobre si o veneno do mal e por mais que caminhem levam consigo toda essa inflamação do inimigo.
Queridos, precisamos continuar caminhando sim, mas livre-se dessas flechas. Sabe por quê? Porque quanto mais caminharmos com o pecado encravado em nós, mais vamos nos acostumando. Isso quando não gostamos…. aí fazemos da seguinte forma: continuamos a caminhar e quando vem “aquela” flecha deixamo-nos atingir. E cada vez mais…. e cada vez mais…
E já não conseguimos mais nos libertar… e a primeira coisa que vai acontecer é perder o gosto pela oração. Em seguida, começamos a ver defeito em tudo nos outros… começamos a criticar tudo o que os outros fazem. E ficamos agressivos. Em seguida vem a depressão, porque aí tem o peso na consciência, pois antes éramos de Deus e agora estamos nos afastando. Mas esse processo também vai passar e depois vamos começar a gostar e muito da “nova vida”, que na verdade é a volta à vida velha.

Por favor, não caia nessa, pois tem muita gente caindo assim. Nosso exército está diminuindo.
Eu mesmo posso testemunhar que muitos soldados que estavam do meu lado estão caindo. Olho para o lado e já não os vejo mais… repito: não somos de ferro, por isso não queira enfrentar as coisas do seu próprio jeito. Não queira sair dessa linha de combate e lutar por conta própria. O melhor é permanecermos unidos, pois só assim venceremos as forças do mal.
Jesus disse que deveríamos ser um com Ele. Unidade!

Seja forte sim, mas reconheça que vc não é de ferro. Lembre-se que Jesus também chorou. E vamos lembrar também que um dia ele disse: “a minha alma está numa tristeza de morte”. Mas em seguida ele disse: “ficai aqui e vigiai”.
Jesus diante da agonia e da dor entra em oração. Sabe que precisa do consolo do alto e é isso que precisamos.

No dia em que os discípulos estavam no barco e viram Jesus andando sobre as águas Pedro gritou: “Senhor, se és tu mesmo manda que eu ande em tua direção sobre as águas…”
E Jesus mandou. Mas quando Pedro começou a andar e viu que estava afundando não teve dúvidas, deu um forte grito: “Senhor, salva-me!”

Nós músicos precisamos gritar isso também: Senhor, salva-nos! Salva-nos!
Precisamos reconhecer que sem Ele nós vamos afundar. Nosso exército vai cair…
Não queira ser mais um caído pelo caminho. Repito: estou vendo muita gente que estava ao meu redor cair. E preciso ser sincero ao ponto de dizer que as vezes me dá até medo ou preocupação, pois fico pensando se posso ser o próximo.
Ontem conversei com a minha esposa a respeito disso e pedimos a Deus que Ele continue a nos dar forças.

A nossa música não pode ser mais a mesma. Precisa vencer o inimigo. Precisa ser carregada de unção, para que, por onde passe leve unção. Que as pessoas sejam tocadas, sejam batizadas no Espírito e tenham suas vidas transformadas.
Chega de mesmice! Nosso ministério precisa pensar grande. Precisa ser ousado e nossa música precisa convencer e converter!!
Chega de cantar e tocar só por tocar. Pense que ali existe uma batalha espiritual e é justamente por isso que minha entrega e o meu amor precisam ser plenos….

Hoje quando ouve-se músicas que estimulam a sensualidade as pessoas não começam a cantar, dançar, etc?
Então, nossa música precisa ter uma força maior que essa: quando ouvirem a nossa voz precisam entrar em sintonia com Deus. Precisam se arrepender, precisam parar e refletir sobre suas vidas….
Não tenha medo se o exército do nosso lado parece diminuir, porque não foram poucas as vezes em que isso aconteceu na história do povo de Deus. Temos muitos relatos na bíblia…
A vitória no combate não depende do tamanho do exército, mas da força que vem do alto.

E agora entendi porque nós músicos vamos na frente do exército. Porque nossa música precisa atingir as pessoas primeiro. Assim eles vão abrindo o coração para Deus. E logo atrás de nós vem os pregadores, intercessores, etc, vem todo mundo trazendo a mensagem, trazendo a oração para a vida dessas pessoas.

Por isso, não tenhamos medo. Podemos não ser de ferro, mas somos revestidos de uma força muito maior: a unção do Espírito Santo!

Deus abençoe!
Jorge

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